CRIANÇAS

Publicado em 13/10/2018 00:10

Camila, meu filho não come nada que seja saudável. Nem adianta. Já desisti. Só gosta de pão, bolacha, chocolate. Se tento dar uma fruta ele faz um escândalo. Salada nem pensar.
Mas, sabe, o problema é a avó, eu até falo para não dar as coisas, na minha casa não tem, mas ele fica com ela e ela faz tudo o que ele quer.
Tenho certeza que sua realidade é bem diferente dessa, não é mesmo?!
Nesse caso hipotético, criei uma história incomum, que quase nunca acontece, só para chamar a sua atenção a alguns detalhes.
Primeiro de todos: quem é a criança, ou melhor, quem são as crianças e quem são os adultos.
Digo isso porque sou do tempo em que não era não. Bastava um olhar da minha mãe para eu parar imediatamente aquilo que estava fazendo. Nunca questionei ou reclamei da comida. Até porque, se fizesse isso, ficaria sem comer, simples assim.
Não digo que sou a favor de bater, porque não sou, nem que acho que devemos voltar há 30 anos. Os tempos mudaram.
O que quero dizer é que algumas coisas importantes para as crianças se perderam: referência, autoridade, respeito, educação (antes na cinta e hoje na conversa).
Quem você queria ser quando crescesse? E seu filho? Qual é a referência que ele tem? O que ele assiste e faz o tempo todo? E o que você faz o tempo todo? Seu filho não vai comer brócolis se você come batata frita.
Quem é o chefe ou quem manda em casa? A criança escolhe o que quer comer, quando quer comer e onde quer comer. Ela manda.
Ah, Camila, mas hoje eles estão terríveis. Nascem sabendo de tudo. Sim, sim, graças a Deus. E nós somos omissos culpando a evolução.
Você respeita seu filho? Ele te respeita? Quando você era criança existiam regras? Brinquedos e recompensas eram recebidos todos os dias? Acho que não. E as datas existem até para te ajudar. A idade nos jogos e brinquedos também. Se está escrito 10 anos na caixa significa que não é apropriado para menores de 10 anos. Se existe Natal, aniversário e Dia das Crianças, talvez sejam as datas adequadas para receber presentes e aprender a dar valor neles. Até mesmo a brincar com eles. Com tanto presente fica difícil aproveitar todos.
E, por último, a parte mais difícil, a educação, os valores. Éramos ensinados a ser honestos, trabalhar, respeitar, dividir. E hoje? O que você ensina? Como educa? Ou melhor, quem educa seu filho? As redes sociais? Ele conversa com quem? Com o tablet?
Sim, eu sei, estamos cada vez mais ocupados com o trabalho e com menos tempo para eles. Mas, vale lembrar que eles precisam de nós muito mais emocionalmente que financeiramente.
Se seu filho come mal, faz birra com salada, só come com o tablet, não aceita qualquer alimento, joga a comida no chão, talvez esse seja apenas um reflexo de como ele aprendeu a lidar com as coisas que não gosta.
E outra, se culpar ou culpar alguém por tudo isso também não resolve nem o seu nem o problema do seu filho.
Façam as pazes.
Busquem soluções.

Uma vida saudável começa pelo cuidado com a sua criança!
Consulte sempre um nutricionista, psicólogo, pediatra e quem mais for preciso!

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