Brasil fica em penúltimo lugar sobre simpatia de vendedores; consumidores de Santa Fé reclamam do atendimento

Publicado em 12/05/2018 00:05

Em Santa Fé opiniões se dividem, porém há reclamações quanto ao atendimento em algumas lojas

Por Daniela Trombeta Dias

Uma pesquisa feita com 1,7 milhões de pessoas sobre avaliações de atendimento mostrou que o Brasil está em penúltimo lugar na classificação sobre atendimento a clientes iniciados com um sorriso. A pesquisa foi realizada em 69 países da África, Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul.
O brasileiro sorridente, que recebe e acolhe seus visitantes, ao que consta no resultado da pesquisa que foi feita pela empresa Better Business World Wide não tem recebido bem os clientes.
Segundo pesquisa, o vendedor brasileiro é um dos menos simpáticos do mundo. O País ocupa a 15ª posição entre os 16 países do ranking – atrás apenas do Japão.
Especialistas, empresários e os vendedores mais simpáticos tentam entender por que, mesmo em um cenário de ano de crise econômica, há quem não se esforce para oferecer um bom atendimento ao cliente.
Dessa forma, dois de cada dez consumidores são recebidos nas lojas brasileiras sem um gesto de simpatia.
O que diz o consumidor santasfessulense
Todos sabem que o contato direto com o público tem papel determinante para a imagem de uma empresa, por isso, a reportagem foi às ruas da área central de Santa Fé para saber o que os consumidores acham do atendimento na cidade.
No geral, quando abordadas, as pessoas desconfiam da pergunta e querem ter certeza de que ficarão no anonimato ao darem suas reais opiniões, como M., de 47 anos. “Tem algumas lojas que eu nem vou comprar nada porque não gosto da abordagem das vendedoras, pois algumas parecem que olham pro cliente para ter certeza de que temos dinheiro para comprar. Eu não gosto disso e, por isso, sempre vou às lojas em que eu já fiz até amizade com as vendedoras, porque é muito gostoso ser bem tratada e recebida nos lugares”, disse ela.
A dona de casa ainda ressaltou que muitas vendedoras nem gostam que o cliente pergunte o preço dos produtos. “Mais de uma vez cheguei a uma determinada loja (só lá vende o que eu preciso) e a vendedora que estava parada foi me atender; os itens não tinham valor e fui perguntar o preço de cada um, e ela ainda fez cara ‘feia’. Se está sem preço é porque não colocou e o cliente ainda fica constrangido”, afirmou.
A estudante C., de 24 anos, conta que, certa vez, precisava comprar uma sapatilha e foi até uma loja situada na rua 14. “Eu estava de calça leg e blusa, ou seja, bem simples. Entrei na loja, era hora do almoço e havia quatro vendedoras, duas conversando e as outras duas ‘fazendo nada’, cada uma em um local do estabelecimento. Olhei todas as vitrines, olhei pra elas e nada; dei uma enrolada e olhei de novo e percebi que me olhavam com desdém. Nossa, fiquei brava e triste ao mesmo tempo, porque as tais vendedoras eram meninas jovens, todas vestidas como se fossem donas da loja, e não empregadas, e agindo assim, com certeza não se tornarão serem humanos dignos, mas sim supérfluos que só pensam em aparência e ainda por cima gastam todo o salário com roupas e sapatos. Nunca mais voltei naquela loja”, ressaltou.
Já C., de 52 anos, contou como foi quando tentou abrir conta em uma loja. “Eu ia toda semana e um dia perguntei se eles abriam conta, a dona me olhou de cima a baixo e disse que não. Eu agradeci e fui embora. Na outra semana, tinha uma vaga da área azul bem em frente à loja e estacionei meu carro. A proprietária da tal loja estava à porta. Entrei no local, iniciei minhas compras e ela logo ofereceu para abrir uma conta. Acredito eu que pelo modelo do meu carro, ela ‘comprovou’ que eu tinha boas condições financeiras. Isso é lamentável, mas eu aceitei e abri a conta”.
H, de 31 anos, garante que muitos vendedores não são simpáticos porque ganham mal. “Acho que temos que pensar o porquê agem assim, podendo ser um dos fatores o pouco salário, sem contar que muitos nem comissão têm, e isso os desmotiva. De qualquer forma, ser simpático e se dedicar ao que faz é uma das formas de crescer no trabalho”, afirmou.
O aposentado G., de 68 anos, conta que há 20 anos as coisas eram diferentes no comércio. “Todos se conheciam e havia amizade. Hoje, os vendedores não se empenham no trabalho porque muitos não querem fazer disso uma carreira e os donos de loja não optam em treiná-los porque não têm a garantia de que vão ficar no serviço”, disse ele.
“Eu não gosto que as vendedoras ficam ‘me perseguindo’”, relatou L, de 20 anos, se referindo ao fato de que quando entra em determinadas lojas, mesmo dizendo que quer ‘dar apenas uma olhada’ nos produtos, algumas vendedoras passam a caminhar junto do cliente, o que pode gerar constrangimento. “Sei que às vezes pode ser para me ajudar caso eu tenha dúvidas, mas isso me deixa desconfortável. Tem gente, como eu, que não gosta”, falou a estudante.
Outros países
A pesquisa revelou que os países com mais vendedores simpáticos no mundo, são a Irlanda, com 97%; Grécia e Porto Rico, 93%; Lituânia, 92%; Suíça e Grã-Bretanha, 91%; Letônia e Portugal, 90%; Estônia, 89%; Dinamarca e Turquia, 88%; Alemanha e Estados Unidos, 87%; China, Rússia e Espanha, 86%; Finlândia, 85%; Chipre e Noruega, 84%; Argentina, Áustria, Canadá, Chile, Islândia e Suécia, 83%; França e Holanda, 82%; Colômbia e Hungria, 81%; Brasil, 79%; e Japão, 74%.

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