Caps promoverá ações de prevenção ao suicídio

Publicado em 7/09/2019 00:09

Por Bárbara Scholl

Setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. O assunto que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação.
O Centro de Valorização da Vida (CVV), uma das entidades mobilizadoras do Setembro Amarelo no Brasil, destaca que 32 suicídios ocorrem diariamente no país, média de uma morte a cada 45 minutos.
“Perceber que a pressão interna está muito elevada, que o copo está para transbordar e, nesse momento, ou antes disso, pedir e aceitar ajuda é muito eficiente. Conversar com alguém, seja conhecido ou desconhecido, de forma acolhedora e sem críticas já ajudaria essa pessoa a superar aquele momento”, destaca um dos voluntários da entidade.
Para esclarecer os fatores que pode levar uma pessoa ao suicídio, a reportagem de O Jornal entrevistou a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e coordenadora do curso de Psicologia do Unifunec, Daniela Picolo.
Daniela explicou que a depressão não é a causa especifica do suicídio, e sim um fator de risco, ou seja, não quer dizer que todas as pessoas que estão com depressão vão se suicidar, mas que pode leva-las a cometê-lo.
“O ato de suicídio é o desfecho de um processo pelo qual a pessoa já estava doente há algum tempo e quando ela se percebe em ‘um mundo sem saída’, ela pensa no suicídio como uma forma de acabar com sua dor interior”, destacou a psicóloga.
De acordo com ela, a melhor forma de prevenir é falando sobre o assunto. “Existe muito tabu e mito sobre o suicídio. As pessoas acreditam que se suicidar é uma questão de pecado ou ato de uma pessoa fraca. Então devemos falar sobre esse assunto, porque o suicídio faz parte de um processo de adoecimento de uma pessoa”, explicou.
A psicóloga disse ainda que quando uma pessoa vir um amigo ou alguém da família mais isolado, triste ou fechado, deve-se conversar com ela para saber o que está acontecendo, pois tudo começa de alguma coisa simples e isso pode levá-la ao suicídio. “Devemos nos atentar e oferecer o ato de escutar a outra pessoa, para que possamos entender o que está acontecendo e ajudá-la”, relatou.
Ao ser questionada se em Santa Fé há algum lugar que receba as pessoas que estão com depressão para uma conversa ou tratamento, Daniela disse que quando uma pessoa tenta se suicidar, ela é levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), e depois encaminhada para o Caps, para ter ser atendida por um psiquiatra. Após isso, o psiquiatra a encaminha para os grupos terapêuticos ou atendimentos psicológicos que o Caps promove.
“Aqui em Santa Fé nós temos o Caps que trabalha em conjunto com a Clínica de Psicologia do Unifunec, para atender as pessoas que tentaram o suicídio”, enfatizou.
A psicóloga destacou que quando uma pessoa tenta o suicídio, ela fica emocionalmente pior, pois o ato que ela cometeu não deu certo, então ninguém pode julgar, criticar e nem hostilizar, e sim oferecer ajuda.
Dados de tentativas de suicídios e de suicídios
Em entrevista a O Jornal, o delegado titular do município de Santa Fé do Sul, Hélio Molina Jorge, relatou que do dia 1° de janeiro de 2018 a 31 de agosto deste ano foram registrados na delegacia 67 tentativas e oito suicídios.
De acordo com ele, quando a notícia do ocorrido chega até a delegacia, é realizado o Boletim de Ocorrência e a vítima passa pelo exame de corpo de delito. Após o exame realizado e com o laudo em mãos, é pedido uma ordem de serviço para uma melhor apuração dos fatos, pelo setor de investigação. Caso seja apurado que houve instigação ou auxílio ao suicídio, é restaurado um inquérito policial. “Caso seja uma tentativa de suicídio, nós ouvimos a própria vítima, os familiares e até os vizinhos, para saber como ocorreu o fato. A maioria das vítimas que tentam o suicídio confessa que tentou realizar o ato sem o auxílio de outra pessoa”, explicou.
Ações
De 9 a 13 acontecerão orientações nas salas de espera das Estratégias de Saúde da Família (ESFs) do município, da Santa Casa, da UPA, das clínicas de Psicologia, Nutrição e Fisioterapia, abordando os fatores que levam as tentativas do ato, apresentando também estatísticas no Brasil e um alerta sobre a importância da discussão do tema, em parceria com o curso de Psicologia do Unifunec.
No dia 16 de setembro inicia-se a mobilização com alunos das escolas municipais, com atividades lúdicas e de conscientização, proporcionando-lhes interação e informação quanto à prevenção.
Segundo a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), Camila Reis, o encerramento da Campanha Setembro Amarelo será no dia 23, no Caps, envolvendo os pacientes da unidade, com atividades, informação, conscientização e tratamento. “O nosso principal objetivo é enfatizar a necessidade de atenção especial com o bem-estar e a saúde mental de toda a população”, disse Camila.

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