Dia das Mães: Reconhecimento dos filhos supera os esforços de uma mãe

Publicado em 12/05/2018 00:05

Por Bárbara Scholl

Vivemos em uma era em que tudo é muito corrido. Muitas mulheres depois de casadas estão pensando bastante antes de ter um filho. Esse pensamento nasce de uma série de preocupações: como educar uma criança, como se dedicar a ela, como conciliar vida profissional e pessoal com a criação de um filho, condições financeiras. Isso é algo bem diferente de antigamente, haja vista que no passado era comum a mulher se casar cedo e logo ter cinco, sete, dez e até quinze filhos.
Em homenagem ao Dia das Mães, O Jornal entrevistou a senhora Brasilina Batista Guedes, 74 anos, que, com muito esforço e garra, conseguiu cuidar e criar seus nove filhos, sendo seis mulheres e três homens.
Nascida em 9 de fevereiro de 1944, a moradora de Rubineia também vem de uma família grande, onde seus pais, já falecidos, tiveram dez filhos. Dona Brasilina Guedes tem atualmente oito filhos, doze netos e dez bisnetos.
Brasilina contou que se casou muito nova, com apenas 16 anos, com seu Aparecido Guedes, que na época tinha 21 anos. Depois de casada, ela e seu marido foram morar com a sogra em Mato Grosso do Sul, na cidade de Inocência. Lá ela ficou grávida ainda muito nova, e teve o primeiro dos nove filhos.
Ela conta que seu marido sempre bebeu muito, e que depois de alguns anos de casados ele a abandonou juntamente com seus filhos, e ela, com 30 anos, resolveu voltar para Rubineia e refazer sua vida cuidando sozinha de seus filhos. Trabalhadora e esforçada, mesmo sozinha, não deixou nada lhe abalar, decidiu arregaçar as mangas e começou a trabalhar como doméstica para poder criar os filhos.
“Foi um momento bastante difícil, com filhos pequenos tive que virar mãe e pai ao mesmo tempo, tendo que trabalhar fora, dentro de casa, e ainda ter tempo para educá-los”, comentou.
Dois anos depois, seu marido resolveu aparecer em Rubineia. Ele chegou a morar com Brasilina durante seis meses, quando então ela engravidou do nono filho, e mais uma vez ele resolveu deixá-la sozinha com os filhos. De acordo com ela, mesmo com esse contratempo e diante das dificuldades que havia antigamente, ela não desistiu de lutar e tentar dar o melhor aos filhos.
De acordo com dona Brasilina, todo o esforço feito valeu a pena. “Hoje meus filhos são trabalhadores e reconhecem que eu fui mãe e pai deles ao mesmo tempo”.
Segundo ela, antigamente as coisas eram muito mais difíceis, as fraldas não eram descartáveis, a roupa era lavada à mão, não existiam creches para crianças ficarem enquanto a mãe trabalhava.
Ela também relatou o prazer de ser mãe de muitos filhos. “Ver meus filhos muito bem criados, e tendo eles sempre ao meu lado me ajudando, onde cada um me auxilia e me ajuda a sua maneira é muito gratificante”, salientou.
“Sempre tentamos dar o melhor aos nossos filhos, mas isso nem sempre é possível. É preciso muita luta e dedicação diária”, diz.
Dois anos atrás, a família passou por uma fase difícil, que foi quando um dos filhos de Brasilina faleceu em decorrência de um câncer. “Foi um momento muito triste, que ainda não consigo acreditar no que aconteceu”, comentou.
“Temos que dar valor aos nossos filhos, conversando com eles sobre tudo, dando atenção, disciplina e amor, que é o principal”, finalizou Brasilina Guedes.

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