Dona de casa diz como está sobrevivendo diante de um orçamento tão apertado

Publicado em 11/09/2021 00:09

Por Lelo Sampaio e Silva

Viver ou sobreviver tem sido uma das manobras da população ultimamente neste país de altas. De 2019 para 2021, tudo permanece tendo custos elevadíssimos. A alta no preço dos alimentos tem reduzido o poder de compra de diversas famílias no Brasil, isso porque de 2019 para 2021 itens essenciais da cesta básica tiveram aumento brutal.
Arroz, feijão e óleo de soja foram alguns dos alimentos que registram maior alta na inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). As carnes tiveram aumentos superiores à média da inflação. Leite e ovos também engrossam a lista dos preços que avançaram em 2020, e mais ainda em 2021.
As prateleiras do país assistem a um salto no custo de tudo. Em seis anos, esse é o mais alto nível no preço dos alimentos, segundo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ainda segundo o instituto, isso acabou sendo potencializado por conta do câmbio. O alimento produzido no país, alguns dos produtores resolveram deslocar parte da sua produção para o mercado internacional porque gera uma rentabilidade maior. E isso gerou um aumento médio do alimento maior do que aquele que a gente viu em outras economias mundiais, ou seja, produzimos, vendemos mais caro para o exterior e pagamos a conta com a alta nos preços dos próprios produtos.
Quando se fala em combustíveis, o brasileiro segue tendo dificuldades para abastecer seus veículos, seja para trabalho ou passeio. Os profissionais que trabalham com entrega também sentem muito no bolso. Em época de pandemia, em que o serviço de entrega tem tido muita notoriedade e necessidade, o ramo tem sido o mais afetado.
As donas de casas e até mesmo proprietários de restaurantes estão ficando sem saída com o aumento do gás de cozinha.
Em 2019, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor médio de gastos com mercado era de R$ 490,36, e o salário mínimo R$ 1.006. Neste ano, restava ao brasileiro que recebia um salário mínimo apenas R$ 515,64 para pagar demais despesas como moradia, saúde, lazer, vestimentas, dentre outros. Em 2021, o valor gasto está em R$ 600 e o salário mínimo em R$1.100, restando apenas R$ 500 para as demais despesas.
O Jornal entrevistou a secretária Silmara da Cruz Prates, mãe de duas crianças, que explicou que o aumento dos preços dos produtos em supermercados têm mudado cada vez mais o seu comportamento na hora da compra. “Compro os produtos mais essenciais, como o arroz, o feijão e o óleo. Com tudo praticamente dobrando de valor, procuro evitar um pouco comprar produtos extras, assim, o carrinho cada vez mais fica vazio e, com o preço elevado, saio com apenas algumas sacolas, inclusive gastando o mesmo valor que antes”, disse.
Ele relata que deixou de comprar alguns itens que antes eram corriqueiros. “Troquei a carne bovina por carne de frango, verduras e legumes, além de ter trocado marcas de muitos produtos que gostava por marcas mais em conta. Carne bovina, somente em alguns finais de semana. Um prato que fazia com frequência é a lasanha, mas com o preço alto da carne e principalmente do queijo que está altíssimo, raramente a faço”, relata.
Com relação à alta do preço dos combustíveis, Silmara diz que evita se locomover e que só sai de casa quando realmente necessita.
Sobre a alta da energia, procura passar a roupa apenas uma vez por semana e, mesmo assim, preferencialmente as que a família usa para trabalhar.
“Eu e meu esposo nunca imaginávamos que fossemos passar por este momento. Para se ter uma ideia, sobre o ar condicionado, quando o ligo, programo para desligá-lo após uma hora, isso apenas para refrescar o ambiente. Espero que esta situação melhore o mais breve possível, embora ache que isso não ocorrerá logo. Penso também que os preços dos itens essenciais não baixará, e isso não ocorrerá tão breve. Fico triste ao ver que em um período de calamidade, quando os alimentos básicos deveriam estar com preços reduzidos devido à queda do poder de compra da população, estamos vivendo o contrário, com aumentos absurdos. Tenho esperança de dias melhores, e que possamos ter um governo bom e justo para todos. Mas não é o que está acontecendo na política brasileira”, finalizou a dona de casa Silmara da Cruz Prates.

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