Empregadas doméstica com carteira assinada perdem espaço no mercado de trabalho

Publicado em 13/04/2019 00:04

Por Lilian Castilho

De acordo com dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas –, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em três anos o número de domésticas com carteira assinada caiu 15% em todo o país. Foram mais de 300 mil empregados domésticos que perderam o registro na carteira de trabalho, mesmo após a regulamentação dos direitos da categoria.
Lúcia Helena Silveira já trabalhou como empregada doméstica registrada, mas depois de ter sido demitida, não conseguiu mais o registro. Optou, então, por atuar como autônoma. “Eu acredito que a burocracia atrapalhe um pouco, não tenho certeza, mas embora os direitos sejam menores e bem diferentes, atuando sem registro consigo fazer outras atividades complementares. Além disso, outras três colegas minhas que trabalhavam com carteira assinada também perderam seus empregos e não estão mais com o registro”, lembrou Lúcia.
Hoje, Lúcia atua como ajudante de serviços gerais e diarista. Para ela, alternativas que vieram a contribuir para a sua renda. “É como eu disse, os direitos, se é que a gente tem direito, são outros, mas temos as nossas vantagens”, pontuou.
Já Maria Aparecida Gonçalves teve a carteira assinada e comemora a conquista. Ela disse que já atuou como autônoma, mas a insegurança é muito grande. “Às vezes a gente não consegue trabalho, então a renda é diferenciada a cada mês, o que prejudica um pouco na organização das finanças da casa”, argumentou.
Cida, como é mais conhecida, disse ainda que prefere atuar com carteira assinada para dar mais garantias a ela e aos filhos de modo geral. “Pois se acontece alguma coisa, se sou mandada embora, eu terei alguns meses de seguro desemprego para conseguir me restabelecer. Mas a opção da carteira assinada é bem melhor a mais segura”, disse.
Para finalizar, ambas as entrevistadas já atuaram nos dois lados da situação e acreditam que a queda no número de carteira assinada das empregadas domésticas tenha sido causada pela regulamentação da categoria. “Parece que os patrões ficam receosos de contratar, pois antes era mais fácil, hoje a desconfiança é muito grande”, finalizaram as profissionais.

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