Especialista fala sobre o forte odor nas proximidades de tanques-rede usados para a Aquicultura

Publicado em 9/03/2019 00:03

Por Lilian Castilho

Pode-se afirmar que a aquicultura em tanques rede nos reservatórios da União está submetida a um controle muito superior aos dos outros usos conferidos às águas públicas da União. Com isso, podemos descartar a hipótese levantada por algumas pessoas, de que a criação de peixes em tanques- rede é responsável pela degradação ambiental assistida em águas da região, uma vez que toda a atividade passa por um controle prévio para cumprimento da resolução Conama 357 de 2005 e todo o aporte de ração já está previamente calculado e posteriormente controlado.
Quem afirma tudo isso é Renato Hiroshi Torigoi, oceanólogo, mestre em Aquicultura, atualmente consultor em Aquicultura, mas carrega no currículo o título de coordenador geral de Aquicultura em Águas da União Continentais do extinto Ministério da Pesca e Aquicultura, atuante há 26 anos no setor.
Renato explica também que além do controle prévio, a Embrapa Meio Ambiente de Jaguariúna, mantém um programa denominado “Rede Nacional de Pesquisa e Monitoramento Ambiental da Aquicultura em Águas da União”, que tem a finalidade de garantir o crescimento ambientalmente sustentável em todo o país.
“Em recente reportagem no Canal Rural, o pesquisador do Instituto de Pesca de São Paulo, Fábio Sussel, informa que somente metade do esgoto urbano no estado é tratado antes de lançado nos rios do estado”, disse Torigoi.
Efeitos positivos
A produção de alimentos de forma sustentável já é um benefício em si e pode-se afirmar que a piscicultura é uma das formas mais sustentáveis de produção de alimento, atingindo grande produtividade com baixa utilização de recursos naturais. Pode-se afirmar que a piscicultura é a produção de proteína animal mais eficiente que existe.
“Com relação à aquicultura em reservatórios, existe uma importante recuperação produtiva que ameniza a grande perda de terras férteis perdidas com a formação dos lagos das usinas hidrelétricas. Diversos estudos têm demonstrado que há um aumento da população de peixes e crustáceos nativos nas áreas ocupadas pelos tanques rede. É preciso lembrar que o aporte de nutrientes no corpo d’água vem na forma de ração, sem contaminações que são comuns nos esgotos”, destacou o consultor.
A qualidade do pescado produzido em tanques rede é demonstrada através do desenvolvimento da cultura na região e em todo o país, inclusive para exportação da carne do peixe para outros países. A aquicultura é muito menos susceptível às contaminações que podem ocorrer em peixes advindos da pesca.
Desenvolvimento
O desenvolvimento da aquicultura em reservatórios é bastante recente, e seu desenvolvimento vem se acelerando devido à publicação de normas específicas de regulação da atividade pelo governo federal, principalmente o Decreto 4895 de 2003 e a Instrução Normativa Interministerial nº 06 de 2004.
Na aquicultura em geral, houve um aumento de tecnificação e profissionalização da atividade. Esse fator foi discutido em um artigo da Embrapa Pesca e Aquicultura, segue link: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/18797150/aquicultura-brasileira-cresce-123-em-dez-anos.
Desmitificação de boatos
Questionado sobre o mau cheiro que vem do rio em que há tanques redes instalados, o profissional foi enfático ao dizer que não há fundamentação, e que curiosamente as pessoas se apressam em culpar o que está visível na flor d’água. “Não é possível produzir peixe em águas com qualidade comprometida. Como já dito anteriormente, essa é a atividade com maior controle e regulação dentro dos usos múltiplos dos reservatórios, não há lógica em culpar a atividade pela perda de qualidade ambiental do reservatório. A piscicultura em tanques rede é praticada em todo o território nacional e em diversos países e não há relato de produção de mau cheiro”, enfatizou o consultor.
Ainda segundo Renato, é muito mais provável que o mau cheiro ou degradação ambiental esteja sendo provocado pelo lançamento de esgoto das cidades. Fora o lançamento clandestino, vários municípios não tratam o esgoto de forma adequada.

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