Espetáculo sobre álcool e drogas está sendo apresentado nas escolas de Santa Fé

Publicado em 6/10/2018 00:10

Por Lelo Sampaio e Silva

O espetáculo teatral “Batata Quente”, montado pelos alunos da Rede Municipal de Educação de Santa Fé do Sul, mais precisamente da Escola Municipal “Professora Agnes Rondon Ribeiro”, através da Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com o NAS – Núcleo de Ação Social –, juntamente com o Caps – Centro de Atenção Psicossocial –, e dirigido pelo ator e diretor santafessulense Daniel Cucolo, está sendo apresentado desde a última quinta-feira, dia 4, nas escolas municipais de Santa Fé do Sul.
A peça, que foi denominada pelo ator, diretor e autor de diversos espetáculos, o saudoso santafessulense Paulo Macedo Bottós, como uma “intervenção performática para os pátios das escolas brasileiras”, foi apresentada na quinta-feira, dia 4, às 8:00 horas, na Escola Municipal “Professora Rosimares Camargo Benitez” e a partir das 16:00 horas, na Escola Municipal “Professora Agnes Rondon Ribeiro”. Ontem, dia 5, a apresentação se deu somente no período da manhã, também no pátio da Agnes Rondon Ribeiro, haja vista que à tarde a escola já estava sendo preparada para as eleições.
Na segunda-feira, dia 8, às 8:00 e às 13:30 horas, o espetáculo será apresentado na Escola Municipal “Professora Thereza Siqueira Mendes”, e na terça, dia 9, às 8:00 horas, na Escola Municipal Beneditcto de Lima, para os alunos acima do 6º ano.
Em uma linguagem simples e animada, com elementos cômicos e enriquecida pela estrutura do teatro de improviso, esta intervenção performática se baseia no jogo tradicional conhecido como “Batata Quente”. O grupo participante se posiciona em círculo e um determinado elemento é passado de mão em mão, ao ritmo de batata quente, até que o facilitador grite: Fim! Então, o jogador que no final estiver com ele nas mãos paga uma prenda, ou um castigo, ou tem que responder uma pergunta, ou é retirado do jogo. Enfim, aquele que restou com a ‘batata quente’ nas mãos sempre sofre alguma ação decorrente desta situação especifica. Esta é a base para o jogo teatral que a intervenção teatralizada propõe à plateia.
Na intervenção performática, o personagem Batata Quente é um jovem já bastante envolvido com drogas e álcool, em estado avançado de dependência e submissão, que pelos aspectos progressivos, incuráveis e fatal de sua doença adquirida precocemente, torna-se um grave problema social, perde a liberdade de escolha e é passado de mão em mão: família, amigos, escola, governo, sistema de saúde, polícia etc, até terminar só, diante de si mesmo e dos únicos caminhos que lhe restam: a cadeia, uma clínica ou o caixão.
O impacto que a performance teatral causa no público jovem tem como objetivo a reflexão de que a questão drogas e álcool é uma questão de escolha. A atitude essencial para prevenir ou mesmo superar este impasse não esta “nas mãos do outro”. Depende do jovem, de suas escolhas entre o sim e o não, escolhas que nos movem a todos e delineiam a construção dos nossos caminhos vida afora.
Questionado sobre o surgimento do espetáculo em Santa Fé, o diretor Daniel Cucolo afirmou que trata-se de um projeto da Secretaria Municipal de Saúde. “No ano passado, trabalhamos com as questões IST/Aids e gravidez precoce, com os alunos da Escola Municipal ‘Professora Thereza Siqueira Mendes’. No segundo semestre do ano passado foi feita uma montagem do espetáculo ‘O Sonho Acabou’ e no primeiro semestre deste ano, o ‘Auto da Camisinha’, disse o diretor.
“O personagem batata quente, que é representado pelos atores Gabriel Cavalari e Luiz Gustavo, Trata-se de um jovem bastante envolvido com drogas. Está em uma situação em que ele é incapaz de decidir sobre o que quer pra si próprio. Devido ao seu envolvimento tão profundo com as drogas, sua vida passa a ser decidida pelas escolhas que os outros fazem por ele”, disse Cucolo.
Ainda segundo o diretor, a história se dá em cima de um conceito que o autor retirou de uma obra da literatura do NA – Narcóticos Anônimos –, que é chamado de “Três Cs”, ou seja, clínica, cadeia ou caixão, que, via de regra, é o fim de todo adicto.
O personagem batata quente é, na verdade, disputado por três personagens que representam exatamente essas três instituições, a clínica, a cadeia e o caixão. “Essas três personagem travam uma disputa para ver quem vai leva-lo, ou seja, se ele vai parar na cadeia, em uma clínica ou se ele morrerá. A segunda personagem é a Enfermeira Medicamentosa da Salvação Divina, que representa a instituição clínica, interpretada pela aluna Gabriela Ribeiro Dantas. Já a outra personagem é a bela e fria Senhora Dona Morte, representada pela atriz Emily de Souza, e não podemos nos esquecer do personagem Carlão, o Chefão do Camburão, representado pelo ator William de Salles”, concluiu o diretor teatral Daniel Cucolo.

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