Fernandopolense que mora na Itália fala sobre a situação do coronavírus

Publicado em 21/03/2020 00:03

Por Lelo Sampaio e Silva

O número de mortes provocadas pelo novo coronavírus alcançou mais de 2 mil casos na Itália. Somente na última segunda-feira (16) foram confirmados 349 óbitos.
O número de pacientes infectados no país, o segundo do mundo em casos após a China, é de 23.073 pessoas, um aumento de 2.470 em relação ao domingo (15), e os curados são 414 a mais, no total de 2.749.
A reportagem de O Jornal entrevistou a jornalista fernandopolense Lívia Caldeira, que mora na Itália, mais precisamente em Saronno, que fica na Lombardia, região mais afetada, para saber como está sendo o dia-a-dia dos italianos.
Segundo ela, a rotina de todos mudou completamente nos últimos dias. “Não posso sair de casa sem um documento assinado especificando o motivo da minha saída. Só é permitido circular pela rua quem estiver com o documento e o motivo deve ser de extrema necessidade. De acordo com o decreto, quem descumprir as medidas de contenção (quarentena) pode levar multa de 206 euros ou até mesmo ser preso. Mesmo para ir ao supermercado temos que respeitar uma série de regras, como entrar uma pessoa de casa vez, manter uma distância de segurança de pelo menos um metro e não estar acompanhado.
Ela explicou que faz duas semanas que já não vai ao trabalho, por medidas de segurança, e esse isolamento para ela é algo inenarrável. É algo muito estranho você ter que se isolar completamente. De um dia para o outro, atividades como ir ao trabalho, ao banco ou ao centro da cidade se tornam impossíveis.
Com relação a alimentação, a jornalista disse que tudo é comprado online e pessoas preparadas fazem as entregas nas residências.
Entretanto, salientou ela que no início da pandemia as pessoas entraram em pânico e as prateleiras dos supermercados ficaram vazias. “Com o tempo a população foi entendendo que a situação é grave, mas não há motivos para fazer estoque de alimentos em casa. Agora, porém, não há mais escassez de mercadorias nos supermercados”, pontuou.
Ela destacou que nunca podia imaginar que seríamos tão frágeis e vulneráveis diante de uma epidemia como essa. “A Itália em geral é um país muito seguro sob todos os pontos de vista. Pouca criminalidade, baixa desigualdade social, investimentos em educação etc. Além disso, o sistema de saúde da Lombardia é considerado um dos melhores da Europa, e mesmo assim não está dando conta de atender todos os pacientes que contraem o vírus e isso está sendo alvo de vários debates por aqui. Segundo muitos especialistas, a questão não é de tanta gravidade ou letalidade com relação ao novo coronavirus, mas, sim, a superlotação dos hospitais. Muitos médicos chegaram a declarar que estão tendo que escolher qual paciente tratar pela falta de leitos e equipamentos”, explicou.
“A Itália talvez tenha cometido vários erros no combate à essa epidemia. Tanto o governo quanto a população minimizou as consequências no início do surto e demoramos para tomar as primeiras medidas de contenção e o resultado está sendo catastrófico”, finalizou Lívia Caldeira.

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