Mesmo com pequena diminuição em maio, número de famílias endividadas ainda é grande

Publicado em 9/06/2018 00:06

Cartão de crédito lidera o ranking da lista de endividamentos

Por Daniela Trombeta Dias

Houve queda na proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso e nas que declararam não ter condições de pagar seus débitos. O percentual de famílias com dívidas alcançou 59,1% em maio, representando queda em relação a abril, quando o percentual foi de 60,2%. Houve redução também em relação a maio de 2017, quando o indicador alcançou 60,7% do total de famílias.
As informações são da Peic – Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor –, apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
Os resultados dessa pesquisa se tornam bem interessantes neste momento em que o país vive, ou seja, enquanto estão tentando reverter os impactos causados pela greve do caminhoneiros.
Segundo a Peic, a proporção de famílias que declararam não ter condições de pagar as suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes, passou de 10,3% em abril para 9,9% em maio.
O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida, apontado por 75,7% das famílias entrevistadas. Em seguida, vêm os carnês (16,3%) e, em terceiro lugar, o financiamento de carro (11,1%).
A auxiliar de serviços gerais, Rosa Cristina, de 39 anos, é uma das brasileiras que não conseguiu quitar todas as dívidas. “Fiquei desempregada por seis meses. Quando fui registrada, tudo estava acumulado e precisava dar prioridade às contas básicas, como as de energia, supermercado, água, farmácia; enfim, não paguei o cartão de crédito mesmo tendo recebido várias propostas de reparcelamento, assim como também não paguei contas em lojas na cidade, ficando inadimplente no SCPC, SPC e Serasa. Ainda não sei quando será possível me livrar dessas contas, já que a cada dia tudo está mais caro”, afirmou ela.
A manicure autônoma Márcia Santos, de 42 anos, diz não acreditar na pesquisa. “Todos temos visto que o país está em crise. Ninguém tem dinheiro sobrando, muito menos há vagas de emprego as pencas. Os alimentos estão cada vez mais caros nos supermercados, principalmente frutas e legumes. Então acredito que a pouca porcentagem da pesquisa não deve ser levada em consideração”, ressaltou.
A pesquisa ainda ressalta que a redução do endividamento observada nos últimos meses reflete um ritmo menor de recuperação do consumo das famílias e uma maior cautela na contratação de novos empréstimos e financiamentos.

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