Polícias intensificam trabalhos de prevenção ao uso de drogas em Santa Fé

Publicado em 13/09/2018 00:09

Por Lilian Castilho

O uso de drogas ilícitas tem sofrido um incremento bastante preocupante não só em Santa Fé do Sul, mas em todo o país. É notável por meio dos boletins de ocorrências que as ações de apreensão e combate ao tráfico de drogas têm sido ostensivas na cidade, tanto por parte da Polícia Civil, Polícia Militar como da Guarda Civil Municipal.
De acordo com o delegado da Polícia Civil de Santa Fé do Sul, Higor Vinicius Nogueira Jorge, a realidade de Santa Fé do Sul é o uso de maconha, cocaína e crack, e as drogas lícitas como medicamentos utilizados indevidamente e álcool. Segundo ele, a polícia tem investigado traficantes e a partir do momento da constatação do tráfico ou indícios dele, o delegado representa mediante o poder judiciário para que defira o mandado de busca e apreensão no ponto do tráfico.
No ano de 2017 foram cumpridos aproximadamente 30 mandados de busca e apreensão em residências de traficantes, e parte deles foram presos. Além disso, a Polícia Civil, Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal trabalham juntas, trocando informações e promovendo atuações em conjunto, o que culminou na prisão de dezenas de pessoas nos últimos meses.
Sobre o aumento e o trabalho de enfrentamento, o delegado foi enfático. “Observamos que esta questão precisa ser encarada por vários setores, seja por órgãos governamentais em geral, pelas polícias, pelas famílias e toda a sociedade. É preciso um trabalho em conjunto para tentar cessar os efeitos danosos da utilização do consumo de drogas”, constatou o delegado.
Higor ressaltou que o principal antecedente do consumo de drogas e eventual dependência química é a coragem de experimentar. O jovem acaba tendo a oportunidade de experimentar e a partir daí esse usuário ocasional se torna dependente. Esse indivíduo que faz uso da droga, eventualmente, com o tempo se torna dependente de fato e isso se reflete muito negativamente na vida deles.
Enxergando o problema
Segundo ele, não é possível detectar características específicas do dependente químico, mas algumas atenções são importantes para observar indícios que demonstrem o surgimento do problema. Mudanças bruscas de comportamento, de rendimento laboral, de humor são indicativos de que algo está errado.
Companhias também influenciam no comportamento e elas devem ser observadas a todo o momento, “pois o possível usuário de droga não tem profissão, cor, nível de escolaridade, crença etc. A dependência ocorre em qualquer idade e classe social. Já tivemos casos de pessoas idosas que foram internadas em clínicas de reabilitação”.
Por isso o delegado chama a atenção para que todo cidadão contribua no enfrentamento do controle do uso de drogas. Levar o tema às escolas, igrejas, locais de trabalho e lares já trabalha a prevenção ao problema. A compreensão da realidade e o enfrentamento dela é um dos caminhos para a prudência.
“É importante que as pessoas tenham consciência das consequências da dependência química e todos os efeitos causados pelo uso desses produtos. Muitos não sabem dos reais agravantes causados. Não têm dimensão do sofrimento causado pela droga nem o que causa às famílias das pessoas. Não adianta a família julgar ou ofender esse tipo de comportamento, pois só o agrava”.
O delegado acredita que outro pilar que sustenta a prevenção ao uso de drogas é exercitar o amor, o diálogo, compreendendo que a dependência química é uma doença e que precisa ser enfrentada. A primeira saída é fazer com que a pessoas passem por tratamento, tendo acesso ao atendimento especializado, com profissionais qualificados como psicólogos, psiquiatras, terapeutas e outros profissionais que terão condições de resgatar essas pessoas.
As famílias têm um papel fundamental para que a dependência não seja uma realidade para os membros delas, pois o único apoio que cada indivíduo tem, de verdade, é o da família e que se ela virar as costas ao dependente, por exemplo, ele se colocará em perigo novamente, e fará o uso indevido de produtos ilícitos.
“Os pais precisam exercitar com os filhos o diálogo constante, compreender os problemas pelos quais os filhos estão passando, também saber o que os filhos pensam, estão fazendo, as pessoas de convívios e sempre estimular a expor os problemas e ao diálogo franco”, finalizou o delegado Higor Vinicius Nogueira Jorge.

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