Veterinário fala sobre os alimentos típicos da Ceia de Natal que podem ser perigosos aos pets

Publicado em 24/12/2021 00:12

Por Bárbara Scholl

As festividades de Natal são recheadas de guloseimas, banquetes e deliciosos absolutamente tentadores para nós e também para nossos cães.
No entanto, existe uma lista bastante extensa de alimentos típicos do Natal que são tóxicos para os cães. É importante que os familiares e amigos que vão participar da ceia estejam cientes disso.
Recomenda-se que se evite alimentar o seu cachorro com qualquer guloseima da ceia, reservando a ele a boa e velha ração e petiscos feitos especialmente para pets.
Como hoje (24), é véspera de Natal, momento em que famílias e amigos se reúnem para a ceia, a reportagem de O Jornal entrevistou o médico veterinário, responsável técnico das lojas Nutrisul, Fabio Samuel Lopes Pereira, para explicar quais alimentos devem ser evitados aos animais hoje.
De acordo com ele, há 10 alimentos tóxicos mais comuns presentes na Ceia de Natal, sendo eles chocolate, cafeína, alho e cebola, macadamia, panetone e uva passa, bebida alcoólica, abacate, ossos, maionese caseira, ovo cru e doces, como balas, chicletes, dentre outros.
“Cada um desses alimentos tóxicos tem sua característica com relação à toxidade”, explicou Fabio.
Segundo o veterinário a rápida absorção dos componentes do chocolate, ao chegarem ao sistema nervoso central, causam excitação. “Diarreia, vômito, tremores e respiração acelerada surgem de 6 a 12 horas após a ingestão e podem persistir por dias. Pode ocorrer hemorragia intestinal e, em casos mais severos, convulsão e até coma. Em princípio, a dose tóxica de chocolate varia de acordo com o porte físico e a sensibilidade do animal. Porém, é sabido que uma barra de 120 gramas pode ser fatal para um cãozinho de dois quilos”.
A cafeína é tóxica se o pet ingerir em altas doses (63mg/kg de peso do cão). Já o alho ou cebola têm concentrações de dissulfetos e são tóxicos em altas concentrações. Vômitos, diarreia, perda de apetite, depressão e dor abdominal são as principais queixas dos tutores. Em vista disso, pode-se notar fraqueza, decorrente de um quadro de anemia.
A macadâmia pode ser fatal se ingerido por cães, pois o quadro é gastrointestinal, além de tremores, problemas musculares, respiratórios e febre.
A uva passa, segundo o Centro de Controle de Envenenamento Animal (APCC) da Sociedade Americana para Prevenção da Crueldade a Animais (ASPCA), sua ingestão pode causar insuficiência renal aguda, o que o levaria à morte do cão. “Ainda que não se conheça o mecanismo de ação, não se recomenda seu consumo”, disse Fábio.
Já a bebida alcoólica, o efeito do álcool sobre o fígado e cérebro dos humanos é o mesmo apresentado pelos cães. Estes, porém, são sensíveis a doses mais baixas de consumo.
Os ossos têm como maiores problemas a obstrução do esôfago e engasgamento.
Se mastigados, lascas do osso podem perfurar gengivas e até o sistema digestivo do animal. “Apesar de largamente difundido em nossa cultura, o osso é outro vilão que seu cão deve manter distância”, explicou ele.
O abacate, embora inofensivo para humanos, a substância chamada persin é altamente tóxica para a maioria dos animais.
Já problema é o ovo cru oferecido por um longo período de tempo. Além do risco de contaminação por bactérias, como a salmonella, sua ingestão promove a absorção de enzima que interfere no metabolismo de uma vitamina B. Nesse ínterim, é possível aparecer distúrbios na pele e pelo do cão.
Por fim, os doces têm xilitol, um adoçante artificial encontrado em doces e balas, que pode causar problemas hepáticos e queda dos níveis de açúcar no sangue.
Sendo assim, o consequente aumento da insulina pode desencadear um quadro de diabetes. Em função da obesidade e problemas dentários, o açúcar já é condenado na alimentação dos pequenos animais, apesar de ser difícil de impedir que crianças ofereçam a eles.
De acordo com Fabio, as aves também são perigosas para dar aos animais, pois podem ter seu grau de toxidade, uma vez que são temporadas com especiarias e condimentos, como o alho cebola, pimentas, ervas, dentre outros temperos.
Caso os animais venham a ingerir alguns desses alimentos, o veterinário pede para que o dono do animal fique atento, pois qualquer mudança no comportamento ou a presença de sinais como vômito, diarreia, agitação, processos alérgicos, é necessário procurar um profissional, ou seja, um médico veterinário de sua confiança.
Para reduzir as chances dos animais comerem esses alimentos, ele disse que é importante a conscientização de todos os envolvidos na Ceia de Natal e explicar a importância de não a eles nada referente à alimentação dos humanos, para os animais.
Já para saber se o animal está passando mal por ter ingerido algum alimento tóxico, segundo o veterinário, normalmente o animal irá apresentar mudança no comportamento, podendo ficar mais agitado ou mais prestado pode apresentar ânsias.
Nesta época do ano ele atende muitos animais que comem alimentos tóxicos. “É comum animais apresentarem sintomas de intoxicação, principalmente sintomas relacionados a distúrbios gastrointestinal, como vômito e diarreia”.
“Esses são os principais alimentos tóxicos que mais são consumidos na Ceia de Natal, porém quero deixar aqui que existem mais substâncias tóxicas que podem ser ingeridas por cães e gatos. Por esse motivo, gosto sempre de salientar que a melhor forma de tratar seu animal de estimação é sempre buscar orientações técnicas com seu veterinário para que ele possa te orientar sobre como fazer a melhor alimentação, dentro dos parâmetros seguros, evitando assim graves alterações na qualidade de vida do seu animal”, finalizou Fabio.

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