A diversidade da sala de aula no contexto da inclusão

Publicado em 26/10/2019 00:10

A inclusão escolar significa acolher todas as pessoas, sem exceção, no sistema de ensino, independentemente da etnia, classe social, religião e condições físicas e psicológicas. O termo está mais associado à inclusão de pessoas com deficiência física ou intelectual, mas, como podemos perceber, a inclusão é acolher a todos e todas, independentemente de suas especificidades.
Nas salas de aula lidamos com a diversidade, que inclui: alunos trabalhadores; em condições de vulnerabilidade; de populações distantes (imigrantes ou de outras regiões do país); nômades (trabalhadores de circo, ciganos, por exemplo); pertencentes a minorias linguísticas, étnicas ou culturais; de grupos desfavorecidos ou marginalizados; moradores de rua; quilombolas; indígenas; internos da Fundação Casa; internos de clínicas de recuperação; etc.
Trabalhar baseando as práticas educativas na homogeneidade é impossível porque cada aluno é um ser único e individual e tem diferentes desenvolvimentos. Aprender é uma ação humana, criativa, individual, heterogênea e regulada pelo sujeito da aprendizagem, independentemente de sua condição intelectual ser mais ou menos privilegiada. Por isso nossa profissão é tão complexa!
Para alcançar a todos é preciso oportunizar diferentes e variadas estratégias, para toda a turma. Ao contrário do que muitos pensam, incluir não é dar uma folhinha de atividade diferenciada aos alunos com deficiência ou dificuldade, e deixá-los isolados enquanto os demais alunos fazem outras tarefas. Isso é exclusão!
Outro ponto importante é que, segundo a Declaração de Salamanca, divulgada em 1994, aluno com necessidades especiais é qualquer aluno que tenha desvio, bloqueio ou dificuldade em aprender, independentemente de laudo médico. Quando percebemos que um determinado aluno, diagnosticado ou não, está apresentando obstáculos para aprender a partir de determinada técnica ou metodologia, é preciso buscar outros tipos de intervenções para que ele avance.
Na prática, como podemos incluir todos os alunos no processo de aprendizagem:
Através de atividades orais, utilizando recursos audiovisuais e não somente textos escritos; fazendo uso da calculadora e outros recursos tecnológicos; cartazes que ativem a memória em relação a conceitos já trabalhados, importantes para a construção de novos saberes; rotina diária para reduzir a ansiedade; instruções (uma por vez) claras e objetivas com tempo para realização da tarefa; combinados fixos; acreditar e expressar que todos podem aprender; avaliar continuamente e não só em provas escritas e bimestrais; adaptar os conteúdos; avaliar individualmente, de acordo com o desenvolvimento de cada um; trabalhar em grupos cooperativos; comunicação constante com a família; entre outros.
É importante lembrar que incluir não é uma tarefa que podemos fazer sozinhos. É extremamente necessário o apoio, acompanhamento e comunicação com outros profissionais, dependendo da deficiência ou obstáculo de aprendizagem, como psicopedagogo, neuropsicopedagogo, psicólogo, cuidador, intérprete, professor especializado em educação especial, neurologista, professor auxiliar, fonaudiólogo etc.
Inclusão é sinônimo de acolher, de olhar o outro como um ser único e capaz!

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