A loura do banheiro

Publicado em 25/04/2020 00:04

Nesses dias de isolamento social, fazendo faxina no armário, me deparei com um diário com textos que escrevi ainda na adolescência. Vi e resolvi compartilhar uma de minhas histórias, da qual fui protagonista, quando era ainda uma menina:

Depois de começar a frequentar a escola, Lili conheceu várias história, mas a mais horripilante delas, a que se falava o tempo inteiro era a da loura do banheiro.
A loura assustava as crianças, trancava a porta e puxava suas tranças.
Seu espírito habitava o banheiro. Ela surgia do espelho, fazendo das meninas, suas vítimas.
Lili vivia apertada, andava com suas perninhas travadas só para não correr o risco de ir ao banheiro e se encontrar com o fantasma.
Um dia Lili ganhou uma bicicleta. Tinha até uma cestinha, onde carregava a boneca. Foi dar a volta no quarteirão, quando se deparou com a aparição. Tal e qual a descreveram, mas estava bem longe do banheiro.
Lili largou a bicicleta no chão, saiu correndo para sua casa. Não prestou atenção no degrau da escada e ainda levou um tropeção.
Ao chegar em casa, de tão assustada, nem conseguia contar para sua mãe sobre a assombração e sobre sua bicicleta, que deixou largada no chão.
Não queria brincar, nem ir para a escola e nem jogar bola. Sua mãe começou a se preocupar. Depois de muito insistir, Lili acabou contando tudo sobre a loura, que apareceu para lhe assombrar.
A mãe, então compreendeu que se tratava da vizinha, a Nina. Ela tinha pele e cabelos muito claros. Nina era albina.
Lili e a vizinha se conheceram e se tornaram amigas. Então, a menina entendeu o como é uma pessoa albina, que lendas são histórias que o povo conta e que a loura do banheiro, na verdade, nunca ninguém viu, nem eu.

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