Como alcançar e ensinar todos os alunos na sala de aula inclusiva

Publicado em 14/09/2019 00:09

Segundo dados da ABDA (Associação Brasileira de Déficit de Atenção), cerca de 6% da população mundial apresenta TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção Hiperativa). Muitos de nossos alunos, mesmo não diagnosticados, apresentam sintomas de TDAH, como por exemplo: não conclui as tarefas; perde materiais constantemente; sai do seu lugar toda hora e fica andando pela sala; sobe em mesas e cadeiras; agita as mãos ou os pés o tempo todo; não espera a sua vez de falar e dá respostas antes que a pergunta seja concluída; parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele(a); tem dificuldade em organizar as tarefas e seus materiais; distrai-se facilmente com estímulos externos; corre de um lado para o outro em situações inapropriadas; etc.
Quando focamos na aprendizagem de cada um de nossos alunos, temos que romper com o paradigma de que só com o diagnóstico médico (o laudo) é que devemos fazer ajustes e adaptações nas intervenções pedagógicas.
Se desejarmos que todos aprendam, além de demonstrar nossa expectativa em relação ao aluno, ou seja, acreditar que todos são capazes, precisamos pensar em atividades que irão atingir a todos.
As autoras Sandra F. Rief e Julie A. Heimburge no livro “How to reach & Teach all Students in the classroom” compartilham dicas superinteressantes, que servem tanto para alunos com TDAH e para aqueles que possuem alguns dos sintomas desse transtorno, como facilitam a organização e a aprendizagem para todos da turma: reduzir as tarefas, torna-las mais curtas ou dividi-las em etapas; reduzir as tarefas escritas e de copiar; facilitar alternativas distintas de avaliação (oral ou por projetos, por exemplo); utilizar suportes complementares como gravador de voz e calculadora; ensinar a utilizar a agenda para tarefas, trabalhos e provas; reforçar instruções verbais com informação visual; dar cópias das notas básicas de capítulos ou textos; limitar as distrações visuais; só começar a explicar quando todos estiverem em silêncio; fazer cartazes e guias para referência dos alunos; usar e seguir o calendário diariamente; ajudar na organização dos cadernos, livros e dos materiais sobre a mesa, para evitar distrações com excessos; escrever na lousa a lista de “coisas a fazer”; compartilhar com os outros professores sobre as conquistas, atividades e a disciplina dos alunos; para os casos em que se exige maior atenção, comunicar-se com frequência com a família sobre o desempenho e comportamento; fazer com que o aluno saiba que estamos interessados em ajuda-lo; manter contato visual com os alunos; elogiar comportamentos positivos; facilitar oportunidades de movimento e descanso frequentes durante o desenvolvimento das atividades; avaliar constantemente e de diferentes formas (não só através da escrita); dar mais tempo para que os alunos processem as informações (pensem e depois respondam); aumentar a quantidade de exemplos, modelos, demonstrações e práticas dirigidas (como fazer passo a passo); repetir as instruções dadas; oferecer oportunidades para que os alunos verbalizem e se expressem em um clima seguro, sem temer o ridículo; propor projetos que permitam a criatividade e a expressão; destacar pontos importantes do texto; disponibilizar cópias dos textos estudados; entre outras.
Lembre-se que cada aluno tem um modo próprio de aprender e temos que oferecer diferentes oportunidades para alcançar todos os alunos.

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