Consciência Negra

Publicado em 16/11/2019 00:11

No dia 20 de novembro, comemora-se o dia da Consciência Negra em nosso país. Em apenas 10% dos municípios brasileiros esse dia é feriado e no Estado de São Paulo, em 102 municípios. Na nossa região, os prefeitos costumam expedir decretos considerando esse dia ponto facultativo nas instituições públicas.
Existe uma polêmica sobre esse dia ser ou não feriado. É preciso entender, primeiramente, o que ele representa.
O dia da consciência negra marca a luta do negro por sua liberdade, marca a resistência à escravidão. Por isso é comemorado na data do dia em que Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, foi degolado, em 1965, após a destruição do quilombo.
O Quilombo dos Palmares era uma, entre tantas outras comunidades livres, formada por fugitivos escravos, índios e brancos marginalizados. Esse quilombo alagoano é muito conhecido porque chegou a ser composto por quase vinte mil habitantes (muito mais do que muitos municípios por aí). Em 2004, a Fundação Cultural Palmares e o Ministério da Cultura mapearam 3.524 comunidades quilombolas que ainda resistem em nosso país.
Como abrigava fugitivos, nessa comunidade havia treinamento militar, rigorosas normas de convivência e sistema de segurança, pois era alvo de ataques dos colonizadores. Sobreviviam da agricultura e da coleta de palmito e de frutas da região. Lá podiam usar nomes africanos, uma vez que, quando estavam escravizados, recebiam nomes portugueses. As religiões de raízes africanas podiam ser praticadas.
Considerando a luta pela igualdade e pelo respeito à diversidade, muitos defendem que não há consciência negra ou branca porque todos somos de uma única raça: a humana. Mas por que muitos defendem esse feriado?
Nós brasileiros, somos a segunda maior população negra do mundo. A escravidão de negros africanos durou três séculos. Fomos um dos últimos países a libertar os escravos e, mesmo após a libertação, que foi consentida para aumentar o número de consumidores, muitos negros continuaram na condição de escravos. Pesquisas apontam que até os dias atuais, as pessoas de pele negra têm salários menores, menos estudos e, consequentemente, ocupam cargos considerados inferiores.
Trata-se de uma, entre outras políticas de reparação a um povo, do qual a grande maioria dos brasileiros é descendente, que foi retirado de sua terra natal, escravizado e submetido a péssimas condições de vida.
O sistema de cotas, também polêmico, é necessário porque embora nós negros sejamos muitos, poucos têm acesso às universidades. Não tiramos vaga de ninguém porque há um número restrito reservado ao negro. A questão social também é considerada em provas de vestibular e de concurso público. Os negros estão entre a população de menor renda. Alegar que não nos esforçamos o suficiente é uma justificativa, no mínimo absurda, diante de nossa história. Pesquisas apontam que uma pessoa negra tem que se esforçar muito mais que uma pessoa de pele branca para alcançar seus objetivos profissionais e pessoais.
Muito já avançamos em relação à igualdade étnico racial em nosso país, mas ainda há muito preconceito e discriminação que precisam ser superados. Observo muitas postagens em redes sociais tratando essa, entre outras questões, como “mimimi”. É fácil dizer isso para quem não sente na pele a discriminação, a luta para chegar a um cargo de chefia e os olhares desconfiados.

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