Conto de Natal Pedagógico

Publicado em 21/12/2019 00:12

No Polo Norte, um dos duendes responsáveis pela análise de cartas solicita uma audiência com o Papai Noel:
– Senhor Noel, sou novo nesse setor e deixaram para mim somente as cartas de professores brasileiros. Há duas semanas estou tentando analisar tais cartas para saber se os remetentes são ou não dignos de presentes esse ano, mas os casos são muito complexos e não estou conseguindo fazer tais julgamentos. Seria bom um assistente ou alguém com mais experiência para me ajudar nessa tarefa.
O Papai Noel coçou sua enorme barba branca e disse:
– Caro duende, todo ano tenho o mesmo problema com esse setor, pois ninguém quer analisar as cartas dos professores do Brasil, pois os casos são muito complicados, o tempo gasto na análise das cartas é longo e a meta nunca é cumprida. Nenhum duende quer ficar sem receber seu bônus. Estamos há poucos dias do Natal e não tenho tempo suficiente para a realização de um concurso público. Se realizar um processo seletivo emergencial para o contrato de um duende temporário, o Ministério Público do Mundo da Fantasia vai ficar no meu pé. Acho que eu mesmo vou ter que ajuda-lo. Diga-me as situações para que possamos definir um parâmetro.
O duende parou, pensou, respirou fundo e disse:
– Por exemplo, Senhor Noel: Há distinção se o professor é efetivo, tem estabilidade ou é contratado. Muitos professores alegam terem estudado muito para passar no concurso e não é justo receberem o mesmo presente que os demais.
– Outra coisa: o professor de exatas, merece mais que o professor de humanas?
– O fato de ter direito a aposentadoria especial é uma regalia ou um direito dessa categoria?
– O professor que reprova um alto número de alunos merece ou não o presente?
Aquele professor que faltou muito é ou não merecedor?
– O professor que, na escola, ficou com as turmas de alunos mais difíceis (retidos, indisciplinados, com dificuldade de aprendizagem) merece presente melhor que os primeiros classificados que pegam as turmas mais tranquilas na atribuição?
– E quem deixou para preencher o diário de classe do ano todo na última semana? E aquele que no Conselho de Classe, diante de pais e alunos, é o único que disse que não tem problema com a turma?
– E o que não entregou os relatórios no prazo? Os salários baixos, podem ser considerados como ponto positivo para o merecimento?
– Para o professor que sofreu algum tipo de intimidação ou agressão física ou verbal, o presente deve ser melhor?
Diante de tantas indagações, o Papai Noel, como bom velhinho que é, respondeu:
– Duende, o fato de ser professor em um país que ainda não aprendeu a valorizar a educação, já é uma vitória, um ato digno de coragem e portanto, todo professor, não importa a categoria, a disciplina, nível ou sistema de ensino no qual leciona, merece como presentes: salário digno, respeito e valorização de todos nós!

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