Evasão escolar – um grave problema na educação brasileira

Publicado em 11/01/2020 00:01

Desde a Constituição de 1934 nosso país caminha rumo à universalização do ensino, ou seja, a garantia da escolarização de todos, no entanto, sabemos que o acesso a esse direito teve e tem, ainda, um longo caminho a ser percorrido. Segundo o Instituto Airton Sena, a partir de dados estatísticos, o Brasil levaria duzentos anos para atingir a meta do Plano Nacional da Educação, enquanto metade dos países no planeta, evoluíram significativamente nesse sentido.
Apesar da obrigatoriedade, firmada pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, os dados do Censo Escolar de 2018 revelam que das 48,5 milhões de matrículas na educação básica, 3,5 milhões de alunos foram reprovados ou abandonaram os estudos.
Entre as causas da evasão (ingresso no mercado de trabalho, gravidez precoce, problemas de saúde, atividades relacionadas ao uso e tráfico de drogas e outros crimes, metodologias inadequadas de ensino, etc.) estão a falta de interesse pelos estudos e a baixa resiliência emocional.
A falta de interesse em querer aprender é, sem dúvida, a maior queixa e entrave para o sucesso escolar apontada tanto por professores como por alunos. A baixa resiliência emocional significa a incapacidade de lidar com dificuldades, mudanças e situações inadequadas, sendo mais fácil desistir de estudar, do que enfrentar e superar os obstáculos que surgem ao longo da aprendizagem. Outro dado revela que entre os jovens paulistas de 15 a 17 anos, quase 40% nem estuda e nem trabalha. Ou seja, não estão fazendo nada.
Essa última causa, relacionada à baixa resiliência, revela a decadência social em que estamos inseridos atualmente. A geração com mais de 40 anos, da qual faço parte, foi, entre as camada sociais de baixa renda, uma das primeiras na família, salvo exceções, a conquistar o diploma universitário. As faculdades eram distantes e muito caras e as universidades públicas, um sonho, pois eram destinadas a alunos que, na educação básica, estudaram em escolas particulares. Nossos pais tiveram dificuldade de acesso à escola, pois não haviam instituições próximas à todas as residências, como é hoje, e nem professores com a formação adequada. Meus pais, por exemplo, são daquela geração que, quem sabia mais ensinava seus pares.
Em meu trabalho como gestora, muito de meu tempo é dedicado ao controle da frequência dos alunos e, cada vez mais, minha indignação pelas justificativas, ou melhor, pelas injustificativas das faltas excessivas aumenta. A grande maioria dos pais alega ter conhecimento desse fato e que seus filhos simplesmente não querem ir para a escola.
É de se estranhar que uma geração que lutou tanto pela real democratização do ensino esteja permitindo que seus filhos abandonem a escola ou a frequente sem atuar no processo de aprendizagem.
A escola é a primeira responsabilidade de toda pessoa e, se nesta primeira etapa há desistência, o que se esperar dela no futuro?

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