Fracasso escolar. De quem é a culpa?

Publicado em 30/11/2019 00:11

São muitos os fatores que implicam no sucesso ou fracasso escolar: as condições psicológicas do aluno; as atividades propostas pelos professores; as infraestruturas da escola; os recursos e materiais utilizados; a metodologia de ensino; o apoio e incentivo da família; a comunidade em que a escola está inserida; as políticas públicas voltadas para educação; etc.
Pesquisas realizadas nas escolas pelas quais passei, na grande São Paulo e aqui no interior, indicam, tanto por parte dos professores, como dos alunos, que o maior entrave do sucesso escolar é a falta de interesse dos alunos.
A cada ano e cada vez mais, observo que o número de alunos desinteressados vem aumentando. Conforme vão passando de ano ou série, a falta de interesse pelos estudos, também aumenta. Nos anos finais do ensino fundamental, os alunos do 6º e 7º anos são mais participativos que os do 8º e 9º anos. No Ensino Médio, o quadro piora, principalmente no ensino noturno.
Não por coincidência, a participação e o acompanhamento das famílias no processo de aprendizagem também cai conforme o aluno vai passando para anos ou séries mais avançadas. Percebemos isso nas reuniões de pais, com participação menor a cada bimestre.
Um fato interessante vem sendo evidenciado nos últimos anos: a frequência insatisfatória dos alunos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, atribui essa responsabilidade à escola e à família, mas ultimamente, a escola parece ser a maior interessada por melhoras nesse sentido.
Há alguns anos, o fluxo escolar apontava esse problema quase que exclusivamente no ensino médio, mas agora, percebemos isso no ensino fundamental e, ao investigar as causas das faltas excessivas, as famílias alegam que a criança ou adolescente simplesmente não quer estudar. E pior, pouco é feito para reverter essa situação e o que é feito parece não ter resultado. Consequentemente, o número de reprovações por frequência ou o abandono escolar só vem aumentando.
Outra questão interessante é que, muitos alunos, embora frequentem as aulas, se negam a fazer as atividades propostas pelos professores. Ainda assim, a legislação prevê aulas e atividades de recuperação e de compensação de ausências, que, muitas vezes, também são negadas pelos educandos.
Fim de ano se aproximando e, daqui a pouco, alguns alunos começam a se desesperar. O medo da reprovação para alguns daqueles que não levaram os estudos à sério, de fevereiro até agora, começa a se manifestar. Mas até o número de “desesperados” vem caindo. Hoje, o desesperado me parece estar mais concentrado na equipe escolar, que literalmente, corre atrás dos alunos para tentar evitar tantas reprovações.
Quando um aluno ou aluna vai mal na escola ou não quer frequentar as aulas, de quem é a culpa? Obviamente de todos nós porque para que a aprendizagem aconteça, é preciso querer. É preciso esforço, dedicação e integração entre todos os envolvidos nesse processo: alunos; professores; gestão escolar; funcionários da escola; as famílias; e a comunidade.
Enquanto a educação não for verdadeiramente valorizada por todos nós (e isso inclui nossos representantes eleitos), não alcançaremos o sucesso escolar.

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