O professor na atualidade

Publicado em 19/10/2019 00:10

No campo da Pedagogia, muito se divulga sobre como o professor e a professora devem agir com seus alunos, mas pouco se considera sobre as condições desse profissional, que deve estar apto a desenvolver tantas habilidades cognitivas e emocionais.
Para desenvolver um bom trabalho e ser criativo, o professor e a professora também devem ser acolhidos, motivados, respeitados e valorizados.
O fato é que muito se cobra do educador: planejar atividades; corrigir; preencher diários; entregar relatórios; fazer a gestão da sala de aula, que na prática significa manter a ordem; mediar conflitos; ensinar objetos de conhecimento que constam no currículo, mas que, em alguns casos, é quase impossível achar um olhar significativo e contextualizado para aquele conceito; respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem; adaptar o currículo para alunos com deficiência ou dificuldades; dar recuperação; dar atividades de compensação de ausências para os alunos que faltam muito, mesmo sem justificativa; enfrentar reclamações de mães ou pais; dar aulas para muitas turmas; elevar os índices de desempenho da escola; trabalhar em mais de uma escola, muitas vezes em municípios diferentes, se quiser garantir um salário razoável…
O que diferencia um aluno de um professor é que, na verdade, um está na condição de aprendente e o outro de ensinante, mas ambos são sujeitos desse processo e têm sua própria história de vida, suas limitações, experiências, modo particular de aprender e de ensinar. Por lidar com tantas emoções que são colocadas em jogo durante as aulas, o profissional da educação também merece um olhar acolhedor porque, para desenvolver um bom trabalho, sem dúvida, é preciso estar bem.
Hoje em dia é muito difícil um jovem, prestes a concluir o Ensino Médio, que almeje ser professor. A questão salarial do professor é um dos primeiros pontos de desmotivação, considerando a complexidade de sua tarefa, o estudo necessário para sua atuação e manutenção dela e a importância para a formação de todo e qualquer cidadão. Não desmerecendo nenhuma outra profissão, é possível garantir o mesmo ou um salário maior em outras áreas que não exigem tanto investimento ou desgaste.
Outro ponto desestimulador e que está sendo alvo dos noticiários atualmente é a violência contra o professor. A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com 250 mil professores e diretores de escolas de 48 países ou regiões, aponta que, semanalmente, 10% das escolas brasileiras têm casos de intimidação, física ou verbal, contra educadores. A média internacional é de 3%. Outros dados revelam que, em média, o professor brasileiro gasta 20% do tempo de sua aula com indisciplina.
A área da educação está cada vez menos atrativa. Me pergunto se, num futuro não muito distante, teremos esses profissionais nas escolas. Há regiões que já sofrem com a falta de professores e observamos a gradativa extinção de cursos de Licenciatura em muitas universidades.
Se a educação é responsável pela formação integral do indivíduo, por torná-lo um cidadão crítico e consciente e prepará-lo para o mercado de trabalho, uma nação que não valoriza o professor está condenada ao fracasso.

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