Porque é inevitável trabalhar grupo na escola

Publicado em 31/08/2019 00:08

Por Carla Eliane dos Santos

A aprendizagem se dá num contínuo movimento através das interações interpessoais e dos vínculos afetivos que as pessoas estabelecem dentro de grupos, primeiramente familiar, depois de outras instituições e que se sistematiza na escola, também através do grupo em que o indivíduo está inserido.
As definições e estudos nos leva a ideia de que grupo é formado por pessoas com objetivos comuns, que passam certo tempo juntas. Na escola, cada turma é um grupo, os docentes formam um grupo, a equipe gestora, outro e assim vai.
Baseado nas teorias de Enrique Pichon Rivieri, psiquiatra e psicanalista suíço naturalizado argentino, todo grupo é formado por: um líder de mudança (aquele que sempre traz ideias novas ou motiva o grupo a mudar os rumos); o líder de resistência (aquela pessoa que não quer mudar e se esforça para a manutenção da zona de conforto); o bode expiatório (o pessimista); e os silenciosos (que acabam obrigando os outros a falar). Você consegue visualizar os papéis das pessoas dos grupos de que faz parte? Embora alguns papéis pareçam chatos e outros indiferentes, todos são inevitáveis e necessários dentro de um grupo.
Nessas relações grupais, cada um reproduz comportamentos aprendidos em outras instituições e também os reconstrói.
Na sala de aula o professor é o coordenador do grupo e tem o papel de facilitador e motivador na turma, sem deixar de considerar as individualidades e sem perder de vista o foco na aprendizagem. Para isso ele precisa reconhecer e entender suas próprias fragilidades em lidar com cada aluno, olhar para si para poder olhar e compreender o outro.
O vínculo afetivo entre o professor e os alunos e entre alunos é importante para que haja troca para construir e reconstruir potencialidades. Nessa relação é importante estabelecer limites, que são referências e, portanto, devem ser estáveis.
O professor precisa conhecer a turma, que é o grupo em que ele também está inserido e também tem o seu papel; fortalecer as relações e os vínculos; permitir que cada um desempenhe o seu papel; levar o grupo a refletir sobre suas ações e contribuir para que o grupo encontre soluções para vencer os obstáculos em prol da aprendizagem.

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