São nos desafios que encontramos a oportunidade

Publicado em 15/02/2020 00:02

A escola pública, obrigatória e para todos surgiu para que fossem formadas pessoas de acordo com a necessidade da sociedade em que estão inseridas. É por esse motivo que, desde sempre, escutamos que a educação está passando por um processo de transição, pois busca atender as necessidades de uma realidade que se transforma constantemente. A escola, tanto sofre as influências da sociedade, quanto a transforma.
Se nosso modelo educacional é baseado nas primeiras escolas públicas surgidas na Prússia para formar soldados e garantir a obediência, qual seria hoje a nossa missão, que tipo de cidadão estamos trabalhando para formar?
Entre as finalidades educacionais firmadas em nossa Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases, estão o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, ou seja, trabalhamos para formar os indivíduos integralmente, o que inclui competências cognitivas, emocionais e sociais e prepará-lo para atuar no mundo do trabalho. Esse é motivo atual dos nossos esforços na escola.
Segundo Antonio Carlos Gomes Costa, em seu livro “Educação – Uma perspectiva para o século XXI”, estamos em um momento histórico e social no qual o ser humano está muito fragilizado pela ansiedade e pelo medo e que é marcado pelo individualismo, pela competitividade e pela violência; a nossa relação com a natureza até o momento está “comprometendo o direito à vida das gerações futuras”; e está evidente a perda de respeito pela dignidade.
Esses desafios são, do ponto de vista educacional, os motivos para trabalharmos essas questões na sala de aula com o objetivo de sanarmos essa demanda social. Daí a oportunidade de trabalharmos para desenvolvermos competências e habilidades voltadas para a autocompreensão, autoaceitação, autoestima, autodeterminação, ressignificação dos laços familiares, relações com o bem comum, incorporação de direitos individuais e coletivos, conceito de sustentabilidade, sentido existencial, entre outros aspectos fundamentais na busca da auto-realização e da contribuição para uma sociedade mais justa.
Quando ouvimos ou falamos que este mundo está perdido, que as pessoas não têm mais princípios e valores morais estabelecidos, que os jovens não querem saber de nada, entre outros desabafos, significa que temos muito trabalho a fazer para sanar esses obstáculos que enfrentamos na atualidade para que, futuramente, possamos formar
pessoas que atuem na sociedade de forma mais digna, mais competente e mais humana.
É essa a finalidade da educação hoje.

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