A dor da ingratidão

Publicado em 16/05/2020 00:05

Se tem um sentimento que eu abomino, é o egoísmo. E tal sentimento, em muitas pessoas, está impregnado em sua essência. Às vezes, chega a ser natural encontrarmos pessoas que descaradamente só nos procuram na conveniência. Isto é, só nos procuram quando somos úteis ou convenientes a essa pessoa em alguma situação. E ser tratado assim dói.
A empatia é um exercício diário e constante que precisamos introduzir em nossas ações e nos nossos sentimentos. O que eu proponho parte da premissa de que “se não é bom pra mim, não é bom para o outro”. É sobre colocar-se na posição das pessoas que você utiliza sem se importar com o que ela sente ou pensa.
Essa última semana foi bem difícil para mim do ponto de vista pessoal. E eu lhes conto o porque.
Eu sempre falo que eu procuro amizades que me desafiem. Até brinco (com um fundo de verdade) que eu procuro água em pedra nos meus amigos – em outras palavras, procuro sentimento onde não existe. E amizade é sentimento. É querer que seu amigo se sinta tão bem como você, de forma a não utilizá-lo como um objeto que em determinados momentos “servem” e em outros “não servem”.
Quem me conhece sabe que eu sou muito sincero (até demais), e quando tem algo me incomodando e deixando chateado, eu falo! E, na maioria das vezes, sou taxado de dramático. Entretanto, se me dói, se causa dor, eu devo conversar na tentativa de preservar uma relação de confiança. Mas ter que ficar conversando sempre sobre algo que te incomoda não é ter paciência… É ser burro. Se uma pessoa que se diz sua amiga não consegue se colocar no seu lugar, e pensar em você também, ela não merece nem sua amizade.
No primeiro parágrafo falei que o egoísmo está na essência do ser humano, onde devemos diariamente trabalhar para que mudemos o nosso cotidiano e o transformemos numa realidade de afeto e sinceridade.
Como disse o poeta Augusto dos Anjos: “a mão que te afaga é a mesma que te apedreja. A boca que te beija, é a mesma que te escarra”, e ele está certo.
Não digo que todos são assim, mas que não devemos tolerar que nos tratem sem empatia enquanto fazemos o que “podemos e não podemos” a essas pessoas que acreditamos nos tratar de forma recíproca.

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