A “REVOLTA DA VACINA” DE 2020

Publicado em 12/09/2020 00:09

Para falar do porque que dei o título acima a esta coluna, é importante recordar o que foi a Revolta da Vacina de 1904, onde, na cidade do Rio de Janeiro – ainda capital de nosso país – no intuito de diminuir os grandiosos focos de doenças como a peste bubônica, febre amarela e varíola, o Governo instituiu a obrigatoriedade e, acima de tudo, a orientação para que todos tomassem as vacinas a fim de se imunizarem a tais doenças. Importante lembrar que, naquela época, não fora feito nenhum esclarecimento sobre a importância da vacina ou da higiene. O médico Oswaldo Cruz, contratado naquela época para combater as doenças, impôs a vacinação obrigatória contra a varíola para todo brasileiro com mais de seis meses de idade.
Alguns grupos da sociedade se opuseram à vacina, como militares de oposição, políticos e cidadãos que ajudavam a organizar protestos com o intuito de combater a obrigatoriedade da vacina. Até mesmo a imprensa não perdoou Oswaldo Cruz com ataques e ironias da eficácia de tal ação, quer seja, a imunização compulsória através da vacina. Alguns cidadãos chegavam até a atirar com armas de fogo contra agentes da saúde dizendo que “seu corpo não iria receber aquele líquido desconhecido”. Não só pela vacina obrigatória, mas também por problemas de moradia e ao elevado custo de vida, ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 10 e 16 de novembro a chamada Revolta da Vacina Obrigatória, onde as camadas populares saíram às ruas para enfrentar os agentes da saúde pública e a polícia.
Diante da hipótese de uma vacina para o novo coronavírus em breve, surgiram muitos questionamentos contrários à vacina que ainda aguarda comprovação. Inclusive existem pessoas que dizem com a boca cheia de segurança que não tomará a vacina por que é aí que implantariam o “chip da besta”. Minha Nossa Senhora da Ignorância, o que mais esperar de seres humanos que falar que a terra é plana, que não seguem protocolos da saúde e fazem o que podem para serem donos de suas próprias verdades, mesmo que os fatos e a ciência mostrem que estão errados?
Nos dias atuais é necessário cada vez mais ter que relembrar erros já cometidos por nós, “povo”, em outros momentos de nossa história, já que segundo um ditado popular muito conhecido, “é errando que se aprende”. Existem algumas doenças que já foram erradicadas no Brasil, mas que correm risco de reaparecerem por ignorância de alguns seres humanos que se recusam a deixar vaciná-los e também deixar vacinar aquele que está sob sua tutela, por simples desconhecimento.
No caso da revolta da vacina de 1904, era o povo que não queria tomar vacina, por não terem conhecimento sobre sua eficácia. Já em 2020, se a vacina fosse um ser animado, talvez não aceitaria ser aplicada em nós, povo, pois este, talvez, não a mereça por ser ignorante. Por ignorar os profissionais que estudam e sabem sobre a doença, por ignorarem as medidas de distanciamento social para combater a propagação do vírus.
Por colocar a culpa no poder público e esquecer que somos nós quem descumprimos as medidas que são impostas. Talvez tenhamos o que merecemos. Talvez não tenhamos a vacina ainda, pois nada foi aprendido com essa pandemia. Talvez não sejamos mesmos dignos de ficarmos imunes, pois, viver sob constante medo, tragédia, em minha opinião, já é estar pagando por nossos pecados. Deixemos de burrice, e de velar a burrice do próximo.

Última Edição