Covid Presidenciável

Publicado em 11/07/2020 00:07

Escrevo esta coluna na quarta-feira (8), às 22h, quando um levantamento feito por um consórcio de imprensa (pois os números do governo vinham sendo maquiados) indica que mais de 68 mil brasileiros e brasileiras perderam suas vidas para o novo coronavírus e um dia após o anúncio que o Presidente do Brasil, Sr. Bolsonaro, após inúmeras demonstrações de como não se proteger do novo coronavirus, está finalmente com o vírus. Digo finalmente, pois ele vem tentando pegar a doença há muito tempo.
Inicialmente é importante recordar que o Presidente do nosso país fazia questão de não respeitar as orientações técnicas de proteção contra o novo coronavirus, o que na prática seria o uso correto de máscara, distanciamento social, o não contato físico e etc.
Ele fazia tudo ao contrário. Até incentivava e passeava como um Rei da Era Medieval que passeia a cavalo enquanto seus súditos morrem totalmente na contramão do bom senso.
Com toda a certeza do mundo é que desejo ao Senhor Presidente uma plena recuperação, a fim de que possa viver para que a história o julgue, bem como fez com grandes líderes do bem e do mal, tais como Mahatma Gandhi, Madre Thereza de Calcutá, Poncio Pilatos, Stalin, Hitler e os nazistas, enfim, líderes que fizeram, tomaram decisões, deram exemplos e por fim julgados pela história, este senhor, como qualquer outro ser humano, tem o direito de viver, e dizer que ele merece morrer com a doença seria uma afronta ao princípio da dignidade da pessoa humana e uma falta de compaixão inimaginável.
Recordo que próximo ao pedido de abertura de impeachment de Dilma Rousseff ser votado na Câmara, indagado sobre o mandato da então Presidente, o mesmo respondeu: “Eu espero que acabe hoje, infartada ou com câncer, de qualquer maneira”.
Só cito tal fala pra mostrar que independentemente das más falas do Presidente, de todo seu descuidado para com os que o cercam, com sua família, seus apoiadores e cidadãos que o apoiam, em relação a não observância dos protocolos técnicos indicados, é necessário que a população observe e reflita a postura que ele tenta passar, de que está sob controle e que não passa de uma gripezinha. Vamos ver se o porte físico de atleta o ajudará.
Será que a doença e seus sintomas farão o Presidente se importar mais com as milhares de vidas perdidas pelo vírus? E quer saber? O Presidente só demonstra a face de uma grande parcela da sociedade que por causa da emoção causa destruição.
Nos dias anteriores ao anúncio do resultado positivo de seu teste, o Presidente teve contato com muitas pessoas, funcionários e apoiadores, e, segundo ele mesmo, já estava sentido sintomas desde o último sábado. No mínimo, conduta imoral e que coloca a vida das pessoas em risco.
Por fim, lamento que o Presidente de meu país ignore a realidade de milhões de brasileiros que sofrem com a doença ou perderam pessoas próximas.

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