INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Publicado em 4/09/2020 00:09

Por vezes a intolerância religiosa é entendida como ideologias e condutas que pregam atitudes ofensivas e perseguem religiões diferentes da que se entende como “certo”.
No direito brasileiro é definida como um crime de ódio que fere as liberdades que nosso Estado Democrático Brasileiro como o direito à liberdade religiosa, e também vai contra o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana.
Além de serem asseguradas pela nossa Constituição Federal, a Declaração Universal dos Direitos Humanos conceitua como direitos básicos o direito à liberdade de religião e, também, a opção de não ter religião alguma, onde isso não deve servir de pretexto para desigualar a condição de ser humano de qualquer cidadão que seja.
Durante mais que a metade de minha graduação em Direito no magnífico curso de Direito do Unifunec, em pesquisas sob orientação das queridas professora e advogada doutora Ana Maria Ortega Alonso, e no final de minha pesquisa, sob orientação da professora e advogada doutora Marília Rulli, contato que pude ter através da bolsa do Programa Institucional de Iniciação Científica (Pibic), programa valoroso o qual sempre serei grato ao Unifunec, me possibilitou estudar o nosso país como Estado Laico, isto é, um país onde todas as religiões são protegidas e onde também a ausência de religião é garantido, partindo do princípio da liberdade de religião. Mais um sinal de que é importante respeitar para ser respeitado. Mais um sinal que a fraternidade, que é princípio das religiões que possuem mais adeptos, merece ser fortalecida entre todos os cidadãos, independente da religião e até mesmo se a possuem.
É triste ainda viver numa sociedade que reprime o que é diferente mesmo que não faça o mal, enquanto o repressor, revestido de uma falsa moralidade, cercado de pessoas que se matam com ações e pensamentos, se fortalece do amor e bondade do Deus que cultua. Deus é amor e é fraternidade. Assim também deveria ser o nosso mundo, as nossas cidades e as nossas relações.
O pior dos males, em minha opinião, é a ignorância, onde se peca não por não saber, mas por ter todas as informações e oportunidades de pensar diferente, de forma fraterna e igualitária, mas não querer. A ignorância, a muitos, é levada como motivo para continuar a perpetuar a opressão e a intolerância religiosa. Entretanto não é a religião que deve ser combatida, seus ritos, mas sim a maldade, o sofrimento, as situações desumanas e não fraternas que possam existir. Precisamos resgatar o entendimento de que tudo que nós fazemos é expressão daquilo que vivemos, aprendemos e, até mesmo sem escolha, espelhamos. Ser uma pessoa que não é tolerante com as diferenças e, dentre ela eu falo hoje sobre a religiosa, é ser ignorante perante o próprio direito de crer em um deus ou em vários, e até mesmo de não crer em nenhum.
Buscar tolerância religiosa e coragem para lutar contra qualquer outro tipo de desigualdade é essencial na conduta de qualquer religioso, simplesmente por ser pura manifestação de fraternidade.

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