PADRE LORENZO, FIQUE!

Publicado em 29/08/2020 00:08

Prezados leitores de O Jornal. Dedico esta coluna à causa mais do que justa de mobilização pela permanência do padre Lorenzo em Santa Fé. Seja pela idade avançada ou pelas consequências psicoemocionais da mudança, o pedido e a causa são justos.
Trago partes de uma carta aberta que escrevi sobre a causa que tratamos com carinho nessa edição. O texto na íntegra pode ser encontrado em página do meu Facebook: Carlos Junior, nas postagens do dia 24 deste mês. Ótima leitura, e, por favor, apoiem a causa!
“Prezados irmãos e irmãs, escrevo esta carta aberta, pois percebo que estou diante de uma injustiça e, seguindo os passos de Jesus Cristo, não posso me calar diante dela. No dia 20 deste mês a Diocese de Jales emitiu comunicado, na pessoa do seu bispo, sedo este Dom Reginaldo Andrietta, onde determinava a transferência de padres entre as paróquias da Diocese, dentre elas a transferência do padre Lorenzo Longhi, de 76 anos, sendo tal transferência não desejada pelo padre e tampouco pela comunidade, pois o que precisamos não é que tirem um pilar importante que se tornou imprescindível para nós, mas que mandem mais um para ajudar, ou seja, que não tirem nosso padre, mas que enviem mais um para ajudá-lo (coisa que há anos é solicitado).
Pe. Lorenzo Longhi é italiano, entretanto há muitos anos presta sua vida à religiosidade e à missão evangélica deixada por Jesus. Nos anos 90 deixou Santa Fé do Sul-SP para ir em missão para Palmas (TO), onde retornou em 2009 para a Diocese de Jales e, a convite de Dom Demétrio (bispo à época) e aceitação da comunidade, retornou para esta cidade onde se encontra como nosso pároco até hoje. Pe. Lorenzo aqui viveu muitas batalhas e muitas vitórias. Adoeceu e se curou. Trabalhou e construiu. Em seus 76 anos, 50 deles completados dentro da vida religiosa, como padre, sempre foi obediente e, como ele gosta de utilizar para explicar, foi um “tijolinho” na obra de Deus.
Uma vez que Padre Lorenzo é membro importante à comunidade católica de Santa Fé do Sul por todos os seus serviços prestados, em nome da igreja, seria no mínimo justo que o vissem da forma com que merece: como um cristão que merece ser escutado.
Em entrevista à Rádio Santa Fé em 21 de agosto deste ano, e ao site InformaMais na data de da última quarta (26), deixou claro que também está estarrecido com tal decisão, que chega a ser desumana dada a sua idade e a sua vida pastoral. À Rádio Santa Fé, o padre Lorenzo diz que “com 76 anos não é fácil recomeçar”. Diz também que “tem que se pensar na carga psicológica e emotiva que vou levar saindo daqui”. Não levar em consideração a vontade da pessoa é ferir o livre-arbítrio que Deus nos concedeu, além do mais, mesmo que seja numa hierarquia religiosa, é ser desumano, e Deus nunca seria desumano. Não é simplesmente negar tal pedido de reversão da determinação de mudança de paróquias, pois o padre não quer mudar ou a comunidade está pedindo, mas é levar em consideração o desejo de um – sobretudo – irmão que serve a igreja há 50 anos e, destes, 40 foram a serviço e disposição da Diocese de Jales. Em 24 de agosto, o Pe. Lorenzo em entrevista a um jornalista da cidade disse que estava chateado, pois a igreja grita contra as injustiças da sociedade, das políticas, mas se cala com injustiças dentro dela. E eu concordo. Em nossa vida cidadã enfrentamos, diariamente, abusos e atos de autoritarismo e injustiças, e a igreja deve lutar contra elas, não dar o exemplo de que “se for em nome de Deus, pode”.
Por favor, Reverendíssimo Dom Reginaldo Andrietta, e Colendo Conselho Diocesano de Presbíteros, revejam a decisão de retirar o padre Lorenzo Longhi de nossa Paróquia. Não precisamos que mais um padre vá embora, precisamos que tenha mais de um. Não somente por isso, mas também por reconhecimento da vontade deste homem que dedicou dois terços de sua vida para pastoreio dos filhos de Deus como seu sacerdote, a serviço da igreja.
Deixem, por favor, que o padre Lozenzo Longhi permaneça em Santa Fé do Sul em conjunto do Pe. Miguel.
Por fim, por Deus, que sabe o tanto este meu pedido é sincero, peço desculpas caso tenha causado alguma ofensa ou ter falado algo que não condiz com a verdade, mas é a visão que os fatos me dão, que a lógica me apresenta. Eu não poderia me calar, pois nunca me calaria se tal injustiça fosse cometida com vocês, padres desta diocese.
Jesus pregava a unidade, e a unidade escuta uns aos outros, e, por causa do livre arbítrio, deveria ouvir aquele que sofreria as “grandes mudanças”.
Não só nesta tomada de decisão, mas também em outras, afirmo que é preciso diálogo, pois Deus disse que está em todos nós.
Se Deus está em mim, e está em vós, qual Deus é maior se ele é um só?”

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