REFORMA DA PREVIDÊNCIA ESTADUAL

Publicado em 7/03/2020 00:03

Na última terça-feira, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, na capital do Estado, ocorreu o segundo turno da votação da proposta de emenda à constituição que modifica o regime de previdência dos servidores públicos estaduais. Dentre eles, por exemplo, estão os professores das escolas estaduais, servidores penitenciários, policiais etc.
Com o convite feito a mim pelos professores estaduais da nossa região, pude acompanhar o desrespeito com tais classes e, de modo mais brando, com todos aqueles que não apoiavam tal PEC.
Assim que chegamos à Assembleia, notei uma grande movimentação da polícia militar e da tropa de choque do Estado de São Paulo, mas como o nosso propósito era acompanhar a votação e protestar de forma pacífica, nos organizamos em fila para assistir a votação da galeria, onde há cadeiras para que os cidadãos possam acompanhar os trabalhos. Entretanto, dada à magnitude do tema, a galeria ficou pequena. Professores, agentes penitenciários, policiais civis etc ocuparam toda a Alesp.
Naquele momento, fecharam as portas do prédio que é do povo, e não dos políticos. Se alguém mantém aquele prédio, o salário daqueles deputados e seus servidores é o povo trabalhador e que lá estava para pedir que não aprovassem tal reforma.
Sou contra tal reforma, pois há diversas formas de não fazer o trabalhador “pagar o pato”. Cobrar os grandes devedores do Estado é uma ideia, por exemplo, mas como são importantes no fomento de campanhas eleitorais, preferem transferir tal dívida ao povo.
Em diversas imagens amplamente divulgadas, é possível ver o desrespeito com as classes que lá estavam. A Tropa de Choque atirou em muitos servidores, jogou bombas de efeito moral e encheu a Alesp de gás de pimenta. Até mesmo dentro do plenário e da galeria.
Mas, o desrespeito não acaba aí. Por apenas dois votos a reforma proposta pelo Governo – enviada por um governador que em campanha prometeu não reformar a previdência estadual – foi aprovada de forma covarde. Sob desrespeito e de forma não democrática.
Os deputados da região poderiam ter feito a diferença, mas não fizeram. Por exemplo, Itamar Borges, deputado estadual filho de nossa cidade, que recebeu seu 2º grau da Escola Estadual Professor “Itael de Mattos”, poderia ter pensado em quem lhe formou e ter dado um voto NÃO.
O que mais me doeu, em tal ocasião, foi o descaso com uma classe que a mim é muito importante: a dos professores. A base de toda a sociedade. Eles não mereciam tal tratamento.
Professores são verdadeiros heróis que sofrem não apenas com a sociedade que não os valoriza, mas com os políticos que ao invés de recebê-los e ouvi-los, ordenaram que fossem atacados e expulsos da casa do povo.
O que mais precisa acontecer para que o povo entenda seu poder e que os políticos devem obedecer ao desejo destes, e não do governador?

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