UMA HORA VOCÊ SERVE, NA OUTRA NÃO

Publicado em 13/06/2020 00:06

A partir do momento que iniciamos uma convivência em sociedade devemos entender que temos vivências e interpretações diferentes dos fatos que ocorrem em nossas vidas. Nossos sentimentos não são iguais, tampouco a intensidade destes. Assim, é preciso entender que pensar igual, concordar com tudo, executar ordens ou em algum momento se opor a uma decisão são coisas do cotidiano que precisamos aprender a lidar.
Por ser crítico e não prestar reverência com facilidade sempre tive problemas com “superiores”, pois às vezes é preciso criar o contraditório ou arguir as decisões que as pessoas tomam, ainda mais quando diz respeito à nossa classe, aos nossos ideais, aos nossos direitos e à nossa luta individual para provar o nosso valor enquanto ser humano.
Deixei de “prestar” a certo grupo ao me opor à ideologia conservadora e não compatível com a juventude contemporânea – enquanto durante anos “servi”; deixei de “prestar” à direção de uma instituição de ensino superior por me opor à clara desigualdade dentro da classe discente que eu integrava – enquanto durante anos fui parceiro e inclusive apoiado pela mesma, “servindo” a seus interesses; às pessoas que julguei ser meus amigos, que em hora do socorro eu “prestei”, mas noutros momentos de horas vagas para uma companhia não “servi”. Uma coisa é certa e devemos aprender a lidar: uma hora servimos, e na outra não. Se nos levantamos contra uma injustiça, uma insatisfação, uma clara desigualdade ou uma situação absurda, deixamos de servir independentemente do que fizemos ou ajudamos a construir. O pior de tudo é quando nos tratam como se não nos conhecessem e como se o que “vivemos” nada representou até aqui.
Quando falo que não aceito que me tratem com conveniência, digo que não permitirei ser tratado de forma com que as pessoas me usem quando precisam, das mais distintas formas e relações, quando elas estão em situação de urgência, e, depois, quando a calmaria vem, sequer se lembram de mim. Não permitirei que me tratem quando querem algo que eu possa proporcionar e tão somente por isso. Além de desumano, tratar alguém assim demonstra o quão egoísta o ser humano pode ser, aliás, pessoas não são objetos. E também não é porque ela não concorda com você que ela não “presta”.
A cada dia mais eu vejo que as pessoas só nos tratam bem quando precisam, só suportam a nossa chatice quando é necessário para conseguir alguma coisa. E qualquer relação que não faça sentido é melhor que não aconteça. Essa é uma visão minha, na qual em diferentes momentos cheguei à conclusão que às vezes prestamos e, em outras, não. Triste, mas real, e se não mudarmos nossa mentalidade e pararmos de tratar uns aos outros de forma egoísta, nunca evoluiremos como seres humanos.

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