A ciência da corrupção

Publicado em 20/10/2018 00:10

As manchetes dos jornais insistem implacáveis. Todos os dias, novas revelações que políticos, pertencentes a todos os partidos, todas as ideologias e todas as classes sociais se envolvem em atos de corrupção, mentira e desonestidade. Pessoas que, algumas décadas atrás, eram portadoras da bandeira da retidão e da honestidade, lutando e arriscando a própria vida por uma sociedade mais justa, mais democrática e isenta de corruptos. O que leva, afinal, essas mesmas pessoas, quando em posição de autoridade e de poder, político ou administrativo, de praticar atos tão baixos? De roubar os cofres públicos, por exemplo, e mentir sem uma piscada de olhos? A ciência tenta explicar, mas sem nunca justificar, esses comportamentos aparentemente inexplicáveis.
Estudos científicos realizados recentemente esclarecem as tendências inerentes a cada pessoa, independentemente de cor, raça, nível intelectual ou partido político agem previsivelmente da mesma forma. Pesquisas lideradas e recentemente publicadas pelos doutores F. Gino e D. Ariely realizadas com alunos voluntários nas universidades de Harvard e de Duke, nos EUA, demonstraram que quando as pessoas têm a oportunidade de ser desonestas, e quando a probabilidade de ser pegas neste ato e o custo sobre sua reputação percebido como mínimo, a maioria pratica atos de desonestidade. Mesmo que não “roubem” tudo o que podem inicialmente. E, curiosamente, elas têm a tendência de roubar mais, quando alguém de seu “time”, grupo, partido, está roubando, de que quando alguém do “outro” time ou partido for, obviamente, identificado como corrupto.
Quando alguém tem a oportunidade de roubar, e percebe que em seu grupo alguém já fez isso sem desgaste maior de sua reputação, ele tende a roubar também, mesmo em grau menor. O outro grupo contém-se, neste momento, de roubar, independentemente de sua vontade intrínseca de fazer, ou de ter feito anteriormente o mesmo. Isso não lembra as discussões atuais entre quem rouba mais no Brasil, o PT ou o PSDB?
No nosso cotidiano é cultura pensar que esses pequenos roubos não atrapalham ninguém. Ficam ainda mais confortáveis se a desonestidade beneficiar mais pessoas, e não simplesmente o próprio indivíduo. E quanto maior o grupo beneficiado, mais a pessoa se convence da “ética” de sua mentira. Imagine se o beneficiário seria um partido inteiro. Quanta gente ganhando, e quanta justificativa “ética”. E a consciência do corrupto fica progressivamente mais em paz. E o volume dos roubos e dos desvios, maior.
Nessas eleições, trocar o corrupto não necessariamente diminui a corrupção, e, tendo oportunidade, segundo a teoria da conspiração, quase todo mundo roubaria. Um pouco no início, políticos, administradores e fornecedores acabam entrando na dança do grande baile chamado corrupção.
Como diz um provérbio árabe: “Quem rouba um ovo roubará um camelo”. Ou o Brasil inteiro, se tiver a oportunidade.
Moral da história: “A honestidade é o capítulo número 1 do livro da sabedoria” – Thomas Jefferson.

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