A dura vida de um Bobo da Corte

Publicado em 9/10/2021 00:10

Bobo da corte era o nome dado a um palhaço encarregado de divertir o rei na Idade Média. Ele era o único que podia “criticar” o rei e a rainha sem correr o risco de ser punido, desde que fizesse a corte se divertir.
Os bobos da corte não eram nada bobos. Eles possuíam várias habilidades: versejavam, faziam malabarismos e mímica. Principalmente nos séculos XIV e XV, eles faziam parte do grupo de artistas sustentados pelas cortes, junto com pintores, músicos e poetas.
No Rei Lear, de Shakespeare, o Bobo da Corte pediu, em determinado momento, que o Rei lhe arranjasse um professor para aprender a mentir. O Rei o contestou: “Se mentires, maroto, serás açoitado”. Assim, ficou claro que ao Bobo da Corte estava facultado a dizer sempre a verdade. Assim jamais seria punido por isso, mesmo que desagradasse ao Rei, o que muitas vezes acontecia, pois esta era a função do Bobo, ser a consciência crítica do soberano e, dentro do enredo, contribuir para a da plateia.
O Bobo, sabedor de que se falasse a verdade seria açoitado pelas duas filhas ambiciosas do Rei, dentre as três que ele tinha, ambas prontas para expulsar o Rei do palácio, deixando nítida sua posição: “Não posso compreender que Vossa Majestade e as filhas sejam aparentadas. Elas me açoitam por eu dizer a verdade, enquanto Vossa Majestade pretende fazer o mesmo se eu mentir. Sem contar que algumas vezes sou açoitado apenas por ficar quieto”.
No Reino do Brasil, o Bobo da Corte, infelizmente, somos nós, o povo.

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