A Professora

Publicado em 2/02/2019 00:02

A Professora, com p maiúsculo, é a nossa heroína de hoje. Ela foi protagonista de uma estória digna de um filme de Hollywood.
É normal que um orientador de tese sinta alguma responsabilidade pelos seus alunos, mas Charlotta Turner levou esse princípio até um extremo. Esta professora de química da Universidade de Lund, Suécia, ficou alarmada quando em 2014 um doutorando iraquiano lhe enviou uma mensagem dizendo que, se não voltasse à universidade no prazo de uma semana, ela deveria considerá-lo excluído.
O aluno, Firas Jumaah era Yazidi, ou seja, pertencia a uma comunidade que o Daesh considerada herética. Ao fazer uma viagem ao Iraque foi perseguido pelos seus algozes. Na tentativa de escapar, ele e a sua família se refugiaram numa fábrica desativada, mas não podiam sair de lá.
A professora Turner ficou incompreensivelmente alarmada e extremamente indignada. “Era inaceitável. Fiquei furiosa com o Estado Islâmico se impor no nosso mundo, expondo o meu estudante de doutorado e a sua família numa intolerância ideológica”, disse.
Assim, em contato com o chefe de segurança na Universidade, Per Gustafsson, que logo a informou, para sua surpresa, de que a universidade tinha um acordo de transporte e segurança extensível a todo o mundo. Em nome desse acordo a nossa heroína contratou quatro mercenários para uma missão no Iraque.
Armados e com veículos pesados, os mercenários conseguiram chegar à fábrica, resgatando Jumaah e a sua família. Levaram-nos para o aeroporto de Erbil, onde eles entregaram bilhetes anônimos que lhes permitiram embarcar num avião de volta.
Quatro anos depois, Jumaah está trabalhando numa companhia farmacêutica na Suécia, tendo-se tornado cidadão sueco e completado o seu doutorado. A sua mulher também fez um mestrado em química, e os seus dois filhos estudam numa escola sueca.
Na revista da universidade, onde a história acaba de surgir, Jumaah conta que quando enviou a sua mensagem não tinha nenhuma expectativa. “Estava desesperado. Só quis dizer à minha supervisora o que estava acontecendo. Não tinha ideia que uma professora pudesse fazer alguma coisa por nós”, redigiu. Ao ser indagado pela articulista da revista, porque Turner teve esta atitude heroica, a resposta da professora foi simples: “Achei inaceitável cumprir o que Firas sugeriu, chutá-lo do doutorado só por ele estar preso na guerra do Iraque. Nenhum conflito político-religioso deve impedir a ciência de avançar”.

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