A Raposa e o Galinheiro

Publicado em 3/02/2018 00:02

A Raposa administrava o Galinheiro, e bem. Vez ou outra comia uma galinha, às vezes duas. Depois, limpava tudo, distribuía ração, anunciava um “feriadonzinho” aqui, um “poleiro” reformado ali, e de vez em quando promovia baile de forró, de portões abertos, para a alegria geral. As galináceas adoravam, “batiam coxas”, como ninguém. O Dono do Galinheiro apreciava, e embora não gostasse muito da Raposa, precisava dela para que as coisas funcionassem bem.
Até que houve um dia em que a Raposa abusou da comilança, foi além das medidas. O Dono do Galinheiro resolveu colocar um Cachorro no Galinheiro para vigiar a Raposa.
Astuta, a Raposa manteve preso o Cachorro, alegando que se ele ficasse solto, a produção de ovos iria cair, prejudicando o Galinheiro e seu Dono.
Mas por vias das dúvidas, o Dono do Galinheiro decidiu envenenar algumas galinhas, mas novamente, a Raposa, muito esperta, criou o hábito de, antes de comê-las, dar uma “provinha” ao colega cão, justificando com o doce discurso de que era um princípio religioso, de muita honestidade, dividir alguma galinha, com o próximo.
Certo dia, o Dono se injuriou de vez e instalou uma Comissão Especial de Inquérito no Galinheiro. Uma investigação detalhada, transmitida pela Rádio da Mata dos Macacos para todo o Galinheiro e região.
Em breve, chegaram à conclusão que o Cachorro era o culpado. Algumas galinhas, assustadas, acusaram a si mesmas. Depois, descobriram um velho Porco que vivia nos fundos do Galinheiro, e que se alimentava só das sobras. Foi imediatamente preso, acusado de todas as infâmias e difamações.
O Dono do Galinheiro e as galinhas se deram por satisfeitas, e se acalmaram. A CEI terminava. Houve uma grande festa e em vez de pizza comeram o Porco, no rolete.
A Raposa fez um discurso tão comovente que até convenceu a si própria e chorou, terminando por beijar um pintinho, depois, discretamente, lambeu os beiços.
Para a felicidade geral do Galinheiro o Galo baixou um decreto diminuindo os impostos. E assim, com todas as mudanças, solenemente a situação pôde ficar como antes.
Essa fábula nada mais é do que o cotidiano da nossa política. Pagamos muito caro pelo luxo dos nossos políticos. Imagine você, quantos “Anjos da Guarda” estão administrando nossas vidas nesse momento?
Reflita e acorde deste nosso sonho angelical.

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