A revolução dos órgãos

Publicado em 9/11/2019 00:11

Quando o homem foi criado/ Houve uma grande reunião/Entre os órgãos do corpo/Com uma grande confusão/Pois todos queriam/Do corpo ser o chefão.
O cérebro foi logo dando/O seu ultimato/Pela sua função importante/Na fisiologia de fato/Administrador atuante/Com pensamento sensato.
Mas que grande insanidade/Já foi dizendo o coração/Aqui quem manda sou eu/Pois com a minha contração/Faço o sangue circular/Dos pés à palma da mão.
O sangue é precioso/Para o corpo funcionar/Portanto, se não for chefe/Deixarei de trabalhar/E quero ver como o corpo/Vai poder se movimentar.
Se isso aqui continuar/Lá atrás falou um rim/Se nós dois não formos chefes/Tudo ficará ruim/Ora, se nós somos dois/Podemos fazer um motim.
Sem o trabalho renal/Não haverá metabolismo/Para secretar a uréia,/Para fora do organismo/E depurar a creatinina/Pelo mesmo mecanismo.
Sem fazer muitos memes/Falou também um pulmão/Se nós não formos os chefes/Não há mais respiração/E pela falta de oxigênio/Morreremos todos então.
Mas lá do fundo sentado/O ânus foi também falando/Aqui quem manda sou eu/A porta de entrada do céu/Os presentes espantados/Já foram gritando: até tu?
Formou-se aquele sururu/E passaram a botar/Tanto apelido no tu/Que ficou só a escutar/Quieto, e em nenhum momento/Fez menção de revidar.
Passaram a lhe chamar/Bufante, quincas, anel/Fedorento, ás de copas/Fiofó, toba, carretel/Rosca, jiló, redondo/Até roscofe, rego e borel.
Depois desse escarcéu/Ele logo entrou de greve/Efeitos não demoraram/Foram sentidos em breve/Veio uma dor de barriga/Uma constipação não leve.
Como consequência da greve/A barriga ficou inchada/Também deu falta de ar/A boca ficou ressecada/Os rins entraram em colapso/E o coração em disparada.
Com a pressão muito alterada/Gases sufocando o peito/Cérebro não trabalhava/E nem dava ordens direito/Desesperados gritaram: – Deem a chefia pra ele!
E foi assim desse jeito/Que o reto passou a ser chefe/E logo ganhou o povo/Abrindo as portas sem blefe/Na luta pelo poder/Para ser a solução da plebe!

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