Adeus, Dona Yvonne

Publicado em 23/11/2019 00:11

A heroína de hoje, dona Yvonne Abdo, nasceu aos 11 de maio de 1932, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, uma carioca da gema.
Seus pais, dona Harmonia Guarnido e seo Luiz Antônio Caetano, funcionário do Ministério da Agricultura, no Jardim Botânico, formavam uma família de classe média com a primogênita Silene, a do meio, Sônia, e Yvonne, a caçula do clã.
Teve uma infância feliz entre a Gávea e o Jóquei Clube.
Foi na Escola Olavo Bilac que cursou o “grupo escolar” onde a carteira tinha tinteiro e a caneta era de pena. Era o tempo em que a letra tinha de ser bonita, a leitura castiça e a tabuada na ponta da língua. No quarto ano a gente já sabia ler fluentemente, fazia uma descrição perfeita e desenvolvia as quatro operações aritméticas.
A nossa heroína também enfrentou o “admissão”, uma espécie de vestibulinho para poder cursar o “ginásio”. E foi assim que passou a estudar na Escola Juruena, que ficava no bairro de Botafogo, onde ela ia do Jardim Botânico até lá, à pé.
Naquela época havia “Baile de Formatura” em clube tradicional, com orquestra famosa. Os meninos usavam black tie e as meninas, vestido branco, alguns exibiam o anel de formatura. Era semelhante aos bailes de debutante realizados nas altas rodas sociais.
Estávamos vivendo a ditadura de Getúlio Vargas. A dificuldade para continuar estudando era vertente: havia apenas uma escola Normal em todo o Rio. Aliado ao costume de que toda mulher deveria antes saber bordar e estudar música, Yvonne entrou para a academia de artes onde estudou acordeão, o instrumento preferido daquela época.
Assim, o sonho da princesa de encontrar o seu príncipe encantado se realizou, Foi quando a nossa heroína conheceu Rodolfo, da cidade de Guararapes, um estudante de Medicina que já trabalhava no Hospital Miguel Couto, no Leblon. Em 1956, Rodolfo Abdo se formou pela Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Em 1959 eles se casaram e foram para São José do Rio Preto.
Um movimento liderado por Baxiclides Basso, seu Navarro e parte do povo da cidade, fez com que o médico Rodofo viesse com a família para Santa Fé do Sul, em 24 de junho de 1960. Com os milhares de tijolos doados pela população, um novo hospital foi construído, a Casa de Saúde Dr. Rodolfo.
Rosana, a primogênita do casal, nascida em São José do Rio Preto, tinha apenas três meses quando aqui chegou. Hoje é ortodontista. Leninha, também é riopretense, fez magistério e, somente, Adriana, também ortodontista, é santafessulense.
A nossa heroína era participante ativa da sociedade. Só na colônia japonesa tinha mais de 100 afilhados. Foi madrinha de muitos casamentos, quando era o mês de maio, por exemplo, tinha participação semanal.
A paixão de D. Yvonne eram os seus cinco netos: Marquinho e Priscila, filhos de Leninha e Marco Antônio Bindilatti; Julinho e Neto, filhos de Rosana e Júlio Theodoro de Oliveira; Gabriel, filho de Adriana e Maurício Macioca, além de seus bisnetos.
Certamente, o seu príncipe encantado, em outra dimensão, estava esperando sua chegada triunfal!

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