Adeus, Euricão

Publicado em 3/06/2017 00:06

Mais um herói se transformou em estrela. Tal qual a Estrela Dalva de Noel Rosa e João de Barro, o nosso amigo está no aconchego da sua querida Leila e da sua adorada Aninha. A festa no céu deve ter varado a madrugada com direito a jogo de futebol e roda de samba.
Mas aqui na Terra do Sol estamos sentindo muito a sua falta. Afinal, perdemos o ícone da percussão de ritmos brasileiros e latinos da nossa Estância. O nosso futebol ficou órfão do maior craque de todos os tempos. Os amigos ficaram a ver navios. Os filhos, Regina, Márcia, Ana Paula e Evaldo Curvina ficaram sem o seu guerreiro-mor, o pai Eurico Alves Gomes, que irradiava energia positiva.
Em sua terra natal, Nhandeara, era conhecido como Libório por causa do seu pai Libano, arfo esquerdo famoso do glorioso Clube Atlético Penapolense na década de 30.
Aqui na Terra das Araras Coloridas era Meinha. Os mais antigos dizem que a alcunha originou-se devido a grande habilidade do nosso herói que, desde pequeno, jogava com bola de meia. Companheiros de serenata, já falam que o apelido nasceu por causa daquela tradicional solicitação de uma dose de Presidente. Mas foi Adhemar Ferreira que pela primeira vez o chamou de “Servage”, uma denominação que retratava bem a sua personalidade forte, inocente e bondosa.
Foram quase 40 anos de racha, e o nosso herói será lembrado pela sua mania de usar calções enormes, meia arriada, bicanca de couro e sacola velha onde trazia o inimitável óleo de capivara, uma fórmula secreta que o Véio passava nos gambitos, antes de jogar o tradicional racha do Tênis Clube, aos sábados. Além da sua inesquecível Jabiraca, o veículo que transportava nosso herói para todo lado.
Antes de encerrar a sua trajetória de glória no futebol, num dos memoráveis jogos de racha, recebeu a bola do companheiro Gino que veio alta, mas como estava de costas para o gol, com categoria fez um golaço de bicicleta! Naquele dia, torcedores que estavam na “Estação Rodoviária” levantaram-se todos, para aplaudir a pintura que foi o seu gol.
Literalmente, como se tivesse adormecido, não era para ser o “Último Desejo”, de Noel Rosa, que Watanabe interpretou ao seu ouvido. Era sim, “Adeus, cinco letras que choram”, de Silvino Neto e Francisco Alves a sua última homenagem feita com muita emoção e maestria pelo seu amigo e companheiro de serestas, Nego Caçador.

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