Aldir Blanc

Publicado em 9/05/2020 00:05

O nosso herói de hoje é o compositor Aldir Blanc, conhecido por músicas como “O Bêbado e a Equilibrista”, eternizada na voz de Elis Regina, que morreu na madrugada desta semana aos 73 anos.
Parceiro de longa data de João Bosco, Blanc fez sucesso a partir dos anos 70, ajudando a escrever canções como “Bala com Bala”, “Mestre Sala dos Mares”, “De Frente Pro Crime” e “Caça à Raposa”, mas “O Bêbado e a Equilibrista”, famosa na voz da incomparável da “Pimentinha” se tornou um hino em favor da anistia política. Outros sucessos incluem “Amigo é Pra Essas Coisas”, com MPB4, e “Viagem”, com Roupa Nova.
Aldir Blanc deixou a sua profissão de médico psiquiatra para se tornar compositor. Era também cronista, mais notadamente no jornal “O Pasquim”.
Para lembrar da sua importância, na cultura e na música popular brasileira, nada melhor do que editar as suas frases:
Em relação ao seu autorretrato disse: “Sou rigorosamente ateu, cético, cínico e escroto, nessa ordem”.
E sobre fazer 70 anos: “Fazer 70 anos é como ser atropelado por um caminhão-cegonha que, em vez de transportar carros, transporta guindastes e tratores”.
Sobre a inspiração: “Quem letra é o garoto do curtíssimo período que passou em Vila Isabel, dos três aos quase 11 anos. Quando esse garoto morrer, o letrista, articulista, seja lá o que for, morre junto”.
Sobre a música predileta (de outro autor): “A música mais bonita do mundo pra mim pode ser tirada do repertório do Noel Rosa. Pode ser ‘Feitiço da Vila’, ‘Três Apitos’, pode ser uma que me fala ao coração de uma forma que não consigo ouvir sem chorar, que é ‘Último Desejo’”.
Sobre a letra preferida (de sua autoria): “E, das que fiz a letra, minha preferida é a que mais apanhou nas mãos e cucas pretensamente eruditas de imbecis, que é ‘O bêbado e a Equilibrista’. Eu não tolero algumas críticas feitas à música. Falar que o verso ‘caía a tarde feito um viaduto’ é incompreensível, é de rara estupidez. Até porque o meu avô paterno passou segundos antes embaixo dele. E ele caiu e quase matou meu avô, que ficou empoeirado. Como não cai? Vai pro inferno”.
Sobre a citação ‘Sabe que o show de todo artista tem que continuar’: “Num conto que acabo de escrever sobre Vila Isabel, falo exatamente sobre isso, a necessidade de uma forma qualquer de recomeço. Que não é recomeço, é viver o dia a dia sabendo o que ele traz de novo. E não repetindo esse troço que estão nos empurrando, que é ridículo”.

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