Ali Babá e os 40 ladrões

Publicado em 2/03/2019 00:03

As aventuras desse homem simples, de bom coração, como diz seu nome — “baba”, que quer dizer honesto em árabe –, ganharam mais uma versão, tão caprichada e cuidadosa que faria inveja aos vizires e grão-vizires. Ali Babá é personagem das Mil e uma noites, livro, ou livros, cuja importância, essência e fascínio se perdem no tempo.
Inicialmente, cumpre-se justificar a escolha do título da “coruna” de hoje, a fábula Ali Babá e os 40 ladrões que conta a história de um homem pobre que descobre um tesouro em uma caverna escondida por 40 ladrões por ter tido acesso a famosa senha: “Abre-te Sésamo!” Após essa descoberta começa a ser caçado e salvo duas vezes por sua criada Morjana, por fim os ladrões são derrotados e assassinados por sua escrava e Ali Babá, o homem misere e honesto, apossa-se do tesouro, sustentando sua família por anos.
Contudo, o mundo real não possui um final tão feliz quanto o conto de fadas, o que nos faz interpretar Ali Babá às avessas é que o tesouro condiz aos bens e interesses públicos, frequentemente saqueados e apoderados por uma pequena parcela de corruptos que se mantém no poder da administração pública e nesse caso nem o Poder Legislativo, retratado por Ali Babá, tem atuado de forma efetiva para o combate à corrupção em caráter normativo.
A corrupção é uma patologia que assola as estruturas sociais e compromete os bens e interesses públicos. Contudo, em um regime democrático exige-se da administração pública padrões éticos e morais que pressuponham uma gestão adequada da res publica. Por conseguinte, a gestão pública deverá seguir critérios rígidos para a administração dos bens e interesses públicos, que devem ser zelados como um bem maior e sobre postos aos interesses particulares.
O cenário brasileiro de práticas corruptivas é endêmico, em meio a um sistema de administração complexo e propício, atos de corrupção são frequentes e delapidam o patrimônio público, trazendo para a sociedade uma série de prejuízos às suas instituições sociais, econômicas e morais.
Não obstante, a impunidade incentiva e dão margem para a proliferação de mais práticas corruptivas, formando um ciclo vicioso que está consumindo o Estado e deixando a margem da miséria milhares de brasileiros. A corrupção desencadeia em uma série de violações de direitos, sejam eles na área da saúde, educação, lazer, infraestrutura, poder econômico, dentre outros. Essa violação de direitos não atinge apenas uma pessoa, mas sim milhares, que pertencem ao país e que dependem de sua gestão honesta. Em outras palavras, a corrupção é um crime hediondo e assim deveria, no Brasil, ser tratado como tal.

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