Angela Maria, diva da música brasileira

Publicado em 6/10/2018 00:10

A nossa heroína de hoje era uma das rainhas do rádio brasileiro na década de 50. De origem humilde foi lançada pelos programas de calouros da Rádio Tupi apresentado por Ary Barroso e reinou absoluta nas Rádio Nacional e Mayrink Veiga.
A minha saudosa mãe, D. Emiko era fã incondicional da cantora e, por esta razão aprendi várias de suas músicas tornando-me um admirador número um da artista. Atualmente, músicas como Babalu, Ave Maria do Morro, Balada Triste, Noite do Meu Bem e Gente Humilde fazem parte dos repertórios de nossas serenatas.
Angela Maria, a Sapoti, aos 89 anos e com 70 anos de carreira continuava em atividade, gravando discos e fazendo shows. Seus últimos trabalhos gravados foram ‘Angela Maria e as canções de Roberto & Erasmo’ e shows em parceria com Cauby Peixoto, outro monstro da MPB.
Intérprete de sambas-canção, boleros, toadas e sambas – gêneros musicais populares da época – foi não apenas uma das grandes divas da era do rádio mas alcançou um público maior do que o círculo restrito das boates de Copacabana, onde o samba-canção imperava na década de 1950. Por causa de sua voz cristalina e afinadíssima foi inspiradora de uma geração de cantoras como Elis Regina.
Esteve presente também desde os primórdios da televisão brasileira, com programas seus, e, no cinema, atuou em mais de uma dezena de filmes.
Segundo o colunista Artur Xexéo, Angela Maria foi uma cantora do povo. Cantava suas tristezas, abusava de um repertório com letras sobre amores mal resolvidos, chorava cantando e cantava chorando. Mas o que se sobrepunha a tudo isso era uma voz impecável. Foi isso que a fez sobreviver a modismos, movimentos e estilos de ocasião. Ela não foi só uma cantora de seu tempo. Foi uma cantora de todos os tempos.
Agora, lá no infinito do Céu, acaba de encontrar outro gigante do samba canção, Ciro Monteiro, e ambos estão encantando uma platéia seleta de colegas e amigos, com uma roda de seresta ao luar.

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