As músicas da época da ditadura

Publicado em 2/12/2017 00:12

O nosso herói de hoje é você querido leitor e leitora.
Em tempos de Alckmin, Bolsonaro e Lula, você como protagonista desta “coruna” vai ter de escolher entre a democracia e a ditadura.
Sobre a democracia do Brasil não é nem preciso dizer nada – executivo, legislativo e judiciário comprometidos com a corrupção…
O Regime militar foi o período da política brasileira em que militares conduziram o país. Essa época ficou marcada na história do Brasil através da prática da censura, da extinção do congresso, dos partidos políticos e da repressão àqueles que eram contrários ao regime militar. A liberdade de expressão e de organização era limitada. Partidos políticos, sindicatos, agremiações estudantis e outras organizações representativas da sociedade foram suprimidas ou sofreram interferência do governo. Os meios de comunicação e as manifestações artísticas foram reprimidos pela censura. E nesse período muitos artistas viram suas músicas na lista de censura da repressão. Mas por incrível que pareça, o estudante sabia ler, escrever e fazer conta. Havia disciplina, educação e respeito. Para quem queria trabalhar não faltava emprego e na saúde todos eram bem atendidos. Houve até crescimento econômico e revolução industrial. Foi o período mais fértil em termos de música popular brasileira. Veja algumas que marcaram essa época da história brasileira.
Depois de Geraldo Vandré, Chico Buarque se tornou o artista mais odiado pelo governo militar, tendo dezenas de músicas censuradas. “Apesar de você” foi lançada em 1970, durante o governo do general Médici. A letra faz uma clara referência a este ditador. Para driblar a censura, ele afirmou que a música contava a história de uma briga de casal, cuja esposa era muito autoritária. A desculpa funcionou e o disco foi gravado, mas os oficiais do exército logo perceberam a real intenção e a canção foi proibida de tocar nas rádios.
“O bêbado e o equilibrista”, foi composto por Aldir Blanc e João Bosco e gravado por Elis Regina, em 1979. Representava o pedido da população pela anistia ampla, geral e irrestrita, um movimento consolidado no final da década de 70. A letra fala sobre o choro de Marias e Clarisses, em alusão às esposas do operário Manuel Fiel Filho e do jornalista Vladimir Herzog, assassinados sob tortura pelo exército.
A música “Alegria, alegria” foi lançada em 1967, por Caetano Veloso. Valorizava a ironia, a rebeldia e o anarquismo a partir de fragmentos do dia-a-dia. Em cada verso, revelações da opressão ao cidadão em todas as esferas sociais. A letra critica o abuso do poder e da violência, as más condições do contexto educacional e cultural estabelecido pelos militares, aos quais interessava formar brasileiros alienados.
“Caminhando” (“Pra não dizer que falei das flores”) é uma música de Geraldo Vandré, lançada em 1968. Vandré foi um dos primeiros artistas a ser perseguido e censurado pelo governo militar. A música foi a sensação do Festival de Música Brasileira da TV Record, se transformando em um hino para os cidadãos que lutavam pela abertura política. Através dela, Vandré chamava o público à revolta contra o regime ditatorial e ainda fazia fortes provocações ao exército.
A música “Cálice”, de Milton Nascimento, lançada por Chico Buarque em 1973, faz alusão a oração de Jesus Cristo dirigida a Deus no Jardim do Getsêmane: “Pai, afasta de mim este cálice”. Para quem lutava pela democracia, o silêncio também era uma forma de morte. Para os ditadores, a morte era uma forma de silêncio. Daí nasceu a ideia de Chico Buarque: explorar a sonoridade e o duplo sentido das palavras “cálice” e “cale-se” para criticar o regime instaurado.

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