As vantagens de ser político em um país corrupto

Publicado em 26/08/2017 00:08

Segundo o articulista Rodrigo Zottis, em meados de 1820 a Coroa Portuguesa havia chegado no país há 11 anos e era de 10 a 15 vezes mais gorda que a máquina burocrática americana nessa mesma época, instituída em 1776.
Era uma Corte cara, perdulária e voraz. Em 1820 a alimentação anual da nobreza portuguesa que aqui aportou custava em torno de 900 contos de réis ao Reino, ou quase 50 milhões de reais em dinheiro atual. O deficit crescia sem parar, e em 1821 o rombo no orçamento aumentou mais de vinte vezes. Apesar disso, a Corte continuou a bancar todo mundo, nobres e seus asseclas, sem se preocupar com a origem dos recursos.“Todos, sem exceção, recebiam ração, de acordo com seu lugar e valimento” explica o historiador Jurandir Malerba. “Nobres, artistas, cantores, pintores, arquitetos, todos recebiam sua cota de víveres à custa da corte Real.” E tais gastos culminaram em uma necessidade urgente de emitir moeda – o que, ironicamente, resultou na criação do primeiro Banco do Brasil.
Toda a luxuosidade que os imperadores, reis e outros governantes usufruíram durante os séculos 18 e 19 eram cenários típicos da época, em que a população ficava a mercê da miséria e da fome, enquanto reis viviam em palácios. Hoje em dia é vista como um cenário sombrio e indesejado. O absurdo daquele período não consistia apenas na situação desfavorecida da população plebeia, mas também na falta de caráter e no roubo dos nobres, pois todo o dinheiro obtido pelo Estado era adquirido pelas mãos e pelo esforço de trabalhadores, e seria dever dos governantes manter a estabilidade da sociedade em que governa, ao invés de esbanjar tais recursos arrecadado com banalidades.
Contudo, apesar de nossa reprovação histórica ao passado, essa falta de caráter não foi ainda eliminada, e persiste em nossos atuais governantes.Três séculos depois, nossos governantes ainda não aprenderam. Ainda hoje em dia, findada a monarquia e estabelecida a república, as autoridades gastam mais do que arrecadam, beneficiando-se, para fins próprios, do nosso dinheiro.
A visão de uma República Federativa, que é sinônimo de um engajamento e participação política da população nos assuntos do Estado, não é realmente levada a sério.
O fato é que os governantes vivem no luxo, se endividam e é para nós que enviam a fatura dessas despesas. E antes que você atribua esse lastro de corrupção e gastos abundantes ao “jeitinho brasileiro”, saiba que essa falta de moralidade por parte de políticos não é um problema brasileiro. Gastos excessivos e desnecessários existem em diversos países do mundo.
E na contramão da história o ex-presidente Lula ao discursar disse: “A profissão mais honesta, é a do político.”

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