Bate-papo com o Vampiro

Publicado em 27/05/2017 00:05

– Qual o seu nome?
– Conde Drácula.
– O que leva um ser como o senhor a gostar tanto de sangue?
– Eu, sendo uma entidade vampírica, tenho o hábito de me alimentar da essência vital das criaturas, o sangue das pessoas.
– Será que este gosto está inerente ao seu poder?
– Com certeza. Eu sou uma figura mitológica, subterrânea e sobretudo folclórica, também tenho de ter o poder da sedução, do recato e do lar.
– Senhor Vampiro, na verdade a pergunta é referente ao seu poder político.
– Muito bem, neste particular, pode sempre de me chamar de Conde Drácula. Não fica bem falar que o povo está sendo sugado por um vampiro político. Sem essas criaturas vivas que possuem em suas jugulares o soro, as hemácias e as papas de plaquetas, naturalmente eu iria morrer.
– Senhor Conde Drácula, o seu trabalho diário deve ser muito atribulado ou é tranquilo?
– Na verdade, senhor repórter, o meu trabalho é árduo, começa quando a população ainda está dormindo. É na calada da noite, depois que eu abro a tampa do meu ataúde e saio vestido de Batman pela janela procurando as vítimas…
– Com a roupa de Batman?
– Lógico, o jogo político tem que ser assim. Eu tenho de me travestir do bem.
– É verdade que o senhor é amigo de um tal de Robin?
– É verdade sim. Ele é uma pessoa de boa índole, mas deve ser muito distraída. Certa vez, dois açougueiros vampiros pediram para ele entregar 500 mil de sangue, mas entregou só 465 mil.
– Mas Conde, o que aconteceu com os outros 35 mil de material hematológico?
– Imagino que evaporaram…
– Mas pelo pouco que sei sobre Hematologia, o sangue não deveria ter coagulado?
– Infelizmente, até na nossa classe dos hematófagos, ninguém é perfeito: tem boa índole, mas a carne é fraca.
– Um dia o castelo cai e se isto acontecer o Conde estará preparado?
– Não é para me gabar, mas vai ser difícil acontecer tal fato sobrenatural.
– Por quê?
– Não sou tão ingênuo para cair em armadilha amadora – agora tenho curso de primeiros socorros contra bala de prata e estaca de madeira e ao longo dos séculos fiquei imune a dente de alho e a imagem da cruz…

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