Bem-vindo ao amanhã

Publicado em 13/11/2021 00:11

Os nossos heróis de hoje são aquelas pessoas que têm mais de sessenta anos.
Aproveitando a mensagem futurista enviada pelo meu grande amigo Luiz Fernando Benzatti sobre um texto de Silvio Bertocco, podemos admitir que, na verdade, o amanhã já chegou há alguns anos, segundo a comentarista Sandra Pujol.
Se observarmos com cuidado, poderemos detectar a aparição de uma nova faixa social que não existia antes: pessoas que hoje têm entre sessenta e oitenta anos. A esse grupo pertence uma geração que expulsou da terminologia a palavra envelhecer, porque simplesmente não tem em seus planos atuais a possibilidade de fazê-lo.
É uma verdadeira novidade demográfica, semelhante ao surgimento da adolescência; na época, também era uma nova faixa social, surgida em meados do século XX para dar identidade a uma massa de crianças desabrochando, em corpos adultos, que não sabiam, até então, para onde ir ou como se vestir.
Esse novo grupo humano, que hoje tem cerca de sessenta, setenta, oitenta ou mais anos, levou uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes que trabalharam durante muito tempo e conseguiram mudar o significado sombrio do conceito de trabalho que tanta literatura latino-americana apregoou durante décadas.
Longe dos tristes escritórios, muitos deles procuraram e encontraram, há muito tempo, a atividade que mais gostavam e na qual ganham a vida. Supostamente é por isso que eles se sentem plenos; alguns nem sonham em se aposentar.
Aqueles que já se aposentaram desfrutam plenamente de seus dias, sem medo do ócio ou da solidão, crescem internamente. Eles desfrutam do tempo livre, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos, carências, esforços e eventos fortuitos, vale bem a pena contemplar o mar, a serra e o céu.
Mas algumas coisas já sabemos que, por exemplo, não são pessoas paradas no tempo; pessoas de sessenta, setenta, oitenta ou mais, homens e mulheres, operam o computador como se tivessem feito isso durante toda a vida. Eles escrevem e veem os filhos que estão longe e até esquecem o antigo telefone para entrar em contato com seus amigos para os quais escrevem e-mails ou mandam WhatsApp.
Hoje, pessoas de 60, 70, 80 ou mais, como é seu costume, estão lançando uma idade que ainda não tem nome. Antes, os que tinham essa idade, eram velhos e hoje não são mais… hoje estão física e intelectualmente plenos, lembram-se da sua juventude, mas sem nostalgia, porque a juventude também é cheia de quedas e nostalgias e eles bem sabem disso.
Hoje, as pessoas de 60, 70, 80 ou mais celebram o sol todas as manhãs e sorriem para si mesmas com muita frequência … Elas fazem planos para suas próprias vidas, não incluindo a vida alheia.

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