Colcha de retalhos

Publicado em 1/08/2020 00:08

A vida é como uma colcha de retalhos. Você junta uma sobra aqui, um pedaço ali, e vai unindo, costurando tudo da melhor forma possível para não passar frio.
Nem sempre fica bonita. Muitas partes, a gente nem gostaria que estivessem ali, mas bota junto que é para não ficar um buraco.
Cada retalho, porém, conta um pouco da nossa história.
É o caso do professor Odalto, na Padaria do Dácio; João Angeloni, como pioneiro da cidade; o professor João Barbosa, na sauna da AABB e Tênis Clube; Ticara Abe, no Clube Nipo; professora Zélia, no Unifunec; seo Cassimiro, como maior atleta da Unati; José Romano, referência de excelência como funcionário público na Câmara Municipal.
Alguns pedaços são incrivelmente bonitos. Têm uma bela estampa e exibem uma vivacidade encantadora. Trazem consigo também ótimas memórias.
Como a figura angelical de Yara, filha do fundador da cidade, Dr. Hélio de Oliveira; a pureza e a amizade de Rafael, Rafa do Bita e Edilene; a doçura de Damaris Lacerda; a simpatia e a determinação de Ventania; o companheirismo de Milton Gerente; a alegria do menino Murilo, fã incondicional de cavalos.
Outros são praticamente trapos. Desbotados, judiados, esfarrapados até. Mas tudo isso faz parte. E nem esses podem ser dispensados.
E a confecção não é fácil. Decidir onde vai cada pedaço, fazer os recortes adequados, persistir mesmo furando o dedo de vez em quando, ter que usar a criatividade quando acaba a linha da cor certa. Dá um trabalho danado.
Aí a gente posiciona os tecidos mais nobres na parte mais visível, e dá um jeito de colocar os feinhos onde não vão aparecer muito.
Assim, na posição de destaque, colocamos o grande agricultor Inao Wagatsuma; o batalhador Bento, do Guirao; para um melhor visual, as belas flores de Adilson da floricultura; o brilho da juventude de Fernando Miler, na beneficente Feijoada do Caju.
E, de pedaço em pedaço, nossa grande colcha vai se formando.
Para quem olha de fora, é apenas mais uma colcha, como outra qualquer.
Olhos mais críticos podem até achá-la brega ou sem graça.
Para quem a construiu é uma obra de arte, carregada de significado em cada centímetro como um retrato da nossa vida!

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