Comer para não morrer

Publicado em 4/08/2018 00:08

O livro que acabei de ler é um guia do poder dos alimentos que vai garantir saúde e bem-estar ao lado de sua família e amigos por muitos e muitos anos. Infecções, diabetes, depressão, cardiopatias, seja qual for a doença, a rotina é a mesma: após exames e consultas, a maioria dos médicos se restringe a receitar um remédio ao paciente. Tratamentos alternativos não são mencionados, e medicina preventiva parece uma realidade distante. O resultado é que milhares de vidas são perdidas prematuramente em virtude de doenças que poderiam ter sido evitadas ou revertidas.
Escrito pelo médico americano Michael Greger, “Comer para não morrer” trata de um estilo de alimentação capaz de prevenir, controlar e até reverter muitas das principais causas de morte da atualidade: a dieta à base de vegetais — ou plant-based diet, como é conhecida pelos especialistas. Com uma linguagem clara e ferramentas práticas que nos indicam o que comer, quando e em que quantidade, o livro se fundamenta em estudos acadêmicos para desmistificar a ciência por trás dessa forma de nutrição revolucionária e mostra que adotá-la está longe de ser algo inatingível.
Você sabia que comer castanha-do-pará moderadamente abaixa o colesterol? Que aveia e café evitam doenças do fígado? E que frutas vermelhas e verduras escuras são alimentos que previnem o Alzheimer? Estes são alguns dos alimentos funcionais citados no livro de Greger, médico conhecido por nutricionistas e nutrólogos especialistas em alimentação saudável. Seu site, nutritionfacts.org, ficou famoso por trazer informações confiáveis sobre os alimentos em relação à saúde, algo atualmente difícil de se achar nesta época de fake news.
Em “Comer para não morrer”, Greger comenta que começou a entender o poder curativo dos alimentos depois que viu sua avó se recuperar de uma doença cardíaca gravíssima. Ele era criança quando os médicos liberaram sua avó “para morrer em casa”. Ocorre que ela, aos 65 anos, sentia dores tão absurdas no peito e nas pernas, provocadas pelo entupimento de suas artérias, que sua única alternativa era procurar algo que amenizasse isso. Encontrou essa alternativa internando-se na clínica do Dr. Nathan Pritikin, pioneiro em medicina do estilo de vida, na Califórnia, Estados Unidos. Como diz o próprio Greger, “minha avó chegou à instituição na cadeira de rodas e saiu de lá andando”. O tratamento ao qual ela foi submetida consistia basicamente numa dieta baseada em vegetais (plant-based diet), e, em seguida, uma rotina gradativa de exercícios. O resultado? Não apenas se recuperou, como viveu mais 31 anos, morrendo com 96 anos. Nada mal para quem estava desenganada pela medicina tradicional, não?
Depois desse episódio acontecido no seio de sua família, Michael Greger decidiu ser médico para ajudar mais pessoas a se curar por meio da alimentação. Assim, o nosso herói de hoje, através de palestras, artigos e livros, entra de corpo e alma na luta para promover a comida saudável como uma forma de evitar doenças e até barrar o avanço de alguns males mais comuns em seu país e no mundo, como doenças cardíacas e pulmonares, depressão, câncer, diabetes e hipertensão.

Última Edição