Coronavírus: por que é necessária uma dose de reforço da vacina nos idosos?

Publicado em 2/10/2021 00:10

Nesta semana, foi confirmado o início da aplicação de terceira dose – ou também chamada de dose de reforço – da vacina contra a Covid-19 em idosos no Brasil.
Você sabe os motivos pelos quais a aplicação adicional do imunizante é necessária? Para saber isso é necessário ter embasamento na ciência.
Resposta imunológica
A vacina tem a principal função no organismo humano de estimular o sistema imunológico a gerar respostas contra determinado patógeno – neste caso, o vírus SARS-CoV-2. Essa ação ocorre de duas maneiras: uma se trata da produção de anticorpos neutralizantes; e a outra consiste na imunidade celular.
A imunidade celular é a que costuma se manter por mais tempo, uma vez que – após um período de tempo – a quantidade de anticorpos produzidos contra determinado agente infeccioso tende a baixar.
A terceira dose, neste caso, teria como função reforçar essa produção de defesas neutralizantes na população mais vulnerável à Covid-19, que seriam os idosos.
Imunossenescência
Outro fator importante é a chamada imunossenescência. O envelhecimento traz algumas alterações imunológicas no corpo humano, as quais favorecem a perda da capacidade imunológica contra qualquer doença.
Além da baixa dos anticorpos neutralizantes – algo que acontece também com os mais jovens, mesmo que em menor velocidade –, as pessoas idosas também perdem as células as quais são responsáveis por produzir essas defesas do sistema.
Em outras palavras, a dose de reforço ajudaria a estimular mais as células em quantidade reduzida desse público mais velho para que elas produzam os anticorpos necessários com maior eficiência contra a doença.
Dados estatísticos
De acordo uma pesquisa realizada pelo infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda, 82% de todos os óbitos por Covid-19 no Brasil em julho de 2021 foram de pessoas que não tinham o esquema vacinal completo. Isso exemplifica a eficácia de se tomar o imunizante – seja de qual marca for.
No entanto, na parcela minoritária de mortes que ocorreram em pessoas que já haviam tomado as duas doses da vacina, 96% desses falecimentos foram em idosos. O número reforça a necessidade de que esse grupo de indivíduos receba o mais rápido possível a dose de reforço.

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