Cotidiano

Publicado em 22/07/2017 00:07

Como é chato o cotidiano,
O nosso cotidiano de ano a ano
Quando a gente se acostuma com tudo.
Acostuma a acordar cedo, muito cedo,
Correr para não chegar atrasado ao trabalho
Como se isso fosse o máximo da sua vida,
Como se isso interferisse na ordem do cotidiano,
Do cotidiano sem graça, sem raça, sem cachaça.
Como pode um cotidiano ser
Podre, paupérrimo, sem porre, sem nem porra ter
Quando a gente acostuma sobreviver
Com salário que mais parece ser
De fome, de miséria, de não sei o quê.
Como ter um cotidiano insano
Que vai ano, entra cano, se não me engano
Quando a gente acostuma ser
Acomodado, parado, conformado
Com este cotidiano chato de doer
Porque a gente se acostuma com tudo
Com o atendimento da saúde, do transporte
Dos políticos, dos donos da cidade.
Acostuma com as promessas de caridade
Com o circo, sem o pão e o passaporte.
Como é duro este cotidiano ser
Rotina, cumprir horário, bater ponto.
Acho que agora estou com medo
De amanhã de manhã acordar cedo.

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