Covid-19: por que é necessária uma dose de reforço da vacina nos idosos?

Publicado em 11/09/2021 00:09

Nesta semana, foi confirmado o início da aplicação de terceira dose – ou também chamada de dose de reforço – da vacina contra a Covid-19 em idosos no Brasil, já a partir do próximo mês de setembro. Você sabe os motivos pelos quais a aplicação adicional do imunizante é necessária?
Resposta imunológica
A vacina tem a principal função no organismo humano de estimular o sistema imunológico a gerar respostas contra determinado patógeno – neste caso, o vírus SARS-CoV-2. Essa ação ocorre de duas maneiras: uma se trata da produção de anticorpos neutralizantes; e a outra consiste na imunidade celular.
A imunidade celular é a que costuma se manter por mais tempo, uma vez que – após um período de tempo – a quantidade de anticorpos produzidos contra determinado agente infeccioso tende a baixar.
A terceira dose, neste caso, teria como função reforçar essa produção de defesas neutralizantes na população mais vulnerável à Covid-19, que seriam os idosos.
Imunossenescência
Outro fator importante é a chamada imunossenescência. O envelhecimento traz algumas alterações imunológicas no corpo humano, as quais favorecem a perda da capacidade imunológica contra qualquer doença.
Além da baixa dos anticorpos neutralizantes – algo que acontece também com os mais jovens, mesmo que em menor velocidade –, as pessoas idosas também perdem as células as quais são responsáveis por produzir essas defesas do sistema.
Em outras palavras, a dose de reforço ajudaria a estimular mais as células em quantidade reduzida desse público mais velho para que elas produzam os anticorpos necessários com maior eficiência contra a doença.
Dados estatísticos
De acordo uma pesquisa realizada pelo infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda, 82% de todos os óbitos por Covid-19 no Brasil em julho de 2021 foram de pessoas que não tinham o esquema vacinal completo. Isso exemplifica a eficácia de se tomar o imunizante – seja de qual marca for.
No entanto, na parcela minoritária de mortes que ocorreram em pessoas que já haviam tomado as duas doses da vacina, 96% desses falecimentos foram em idosos. O número reforça a necessidade de que esse grupo de indivíduos receba o mais rápido possível a dose de reforço.
Estudos indicam que vacinas ainda protegem contra casos graves e variante Delta após 8 meses.
Qual vacina para o reforço?
O Ministério da Saúde anunciou a aplicação da terceira dose a partir do dia 15 de setembro, para idosos acima de 70 vacinados há seis meses de ter completado o esquema vacinal anterior e todos os indivíduos imunossuprimidos.
De acordo com a pasta, o reforço deverá ser realizado de preferência com a vacina da Pfizer. Contudo, quando não for possível ter dose desse imunizante, as da Janssen e da AstraZeneca/Fiocruz também poderão ser utilizadas.

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