Diagnóstico da Covid-19 – Coluna Laboratório

Publicado em 9/05/2020 00:05

O diagnóstico da Covid-19 pode ser dividido em clínico, laboratorial e diferencial.
1. Diagnóstico Clínico
Geralmente o quadro clínico assemelha-se com síndrome gripal, porém, ao contrário do observado nos casos de influenza, a febre aumenta e persiste por mais de três a quatro dias. É recomendável ao médico questionar em todos os casos o histórico de viagem para o exterior ou contato próximo com pessoas que tenham viajado para o exterior e registrar essas informações no prontuário do paciente para eventual investigação epidemiológica.
2. Diagnóstico Laboratorial
O diagnóstico laboratorial da Covid-19 é realizado por meio de exames de biologia molecular que detectem o RNA viral do SARS-CoV-2 em secreções respiratórias. Utiliza-se atualmente o PCR (sigla em inglês que significa (Reação em Cadeia da Polimerase) para detectar o genoma do vírus, a partir das amostras de material respiratório (aspiração de vias aéreas ou coleta de secreções da boca e nariz).
Testes rápidos para o novo coronavírus
O problema é que esses testes que foram aprovados em massa pela Anvisa têm apresentado sensibilidade baixa, de cerca de 75%, segundo Carlos Eduardo Ferreira, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/ Medicina Laboratorial. “Ou seja, pelo menos 25% dos testes ainda podem dar falso negativo. Nos primeiros dias de sintomas, a chance de falso negativo é ainda maior”. A partir do 14º dia, a chance de acerto é ainda maior, tempo em que normalmente os sintomas já desapareceram.
Quando o resultado for positivo, a margem de erro é bem menor, mas existe. A presença de anticorpos para outros coronavírus circulantes e o fato de ter tomado determinadas vacinas, por exemplo, podem levar a resultados de falso positivo. O paciente pode acreditar que já teve a doença e que, portanto, estaria imune ao vírus, deixando de cumprir regras de proteção. Além disso, já foram constatados na UFRJ casos de pessoas que têm os anticorpos, mas também têm o vírus ativo, ou seja, continuam transmitindo.
Os testes rápidos podem causar confusão e levar a comportamentos de risco. Por exemplo, pessoas que fizeram teste na rua saíram dizendo ‘graças a Deus deu negativo’. Mas isso não quer dizer nada. Pode ser um falso negativo, pode ser que nunca esteve doente, que está doente e ainda não desenvolveu o anticorpo. Ela pode achar que está segura e vai visitar os pais idosos.
Na realidade os testes rápidos que determinam os anticorpos IGM e IGG são muito bons para levantamentos epidemiológicos, como aqueles que buscam não um diagnóstico individual, mas uma tendência populacional.
3. Diagnóstico Diferencial
É imprescindível a diferenciação da Covid-19, pois as características clínicas não são específicas e podem ser confundidas com aquelas causadas por outros vírus respiratórios, como influenza, parainfluenza, rinovírus, vírus sincicial respiratório, adenovírus, outros CoV, entre outros, que também ocorrem sob a forma de surtos e podem circular num mesmo local simultaneamente.

Última Edição