Em quem votar?

Publicado em 1/09/2018 00:09

Dizem para que eu vote certo. Dizem para que eu escolha melhor meu candidato… E dizem isso toda hora, como se a culpa fosse minha. Mas a grande verdade é que nenhum candidato me parece apto para exercer seja qual for a função. E, sinceramente, cansei de votar no chamado “menos ruim”. Muitas vezes, na falta de candidato melhor, a gente, infelizmente, vai escolhendo mesmo sem ter certeza do que está fazendo. Em quantas e quantas eleições fazemos isso? Promessas vêm e promessas vão, eleições vêm e eleições vão, no entanto, os problemas do Brasil continuam rigorosamente os mesmos. Depois de décadas perdidas e de gerações desfeitas, o país consegue ficar pior. Centenas e centenas de brasileiros saem daqui para o Canadá, para os Estados Unidos, para a Irlanda, Inglaterra, Portugal, Japão e o que aparecer. Muitos confessam que não querem mais viver aqui. Ninguém aguenta tanta inoperância e tanta desfaçatez. Um sistema viciado, corrompido e corruptor vai tirando as esperanças e o futuro desta triste nação. A cada eleição, a frustração aumenta, assim como a raiva de ver tanta riqueza sendo dilapidada e desperdiçada. Não há fórmula mágica, não há salvador da pátria, não há milagre. O que há é a necessidade urgente de uma reforma política ampla e irrestrita, que acabe com privilégios, com o distanciamento entre os representantes “eleitos” e o povo… Em um país de verdade não suportamos mais o foro privilegiado, auxilio paletó, vale combustível, aposentadoria especial e mordomias destes políticos. Não precisamos deste exagerado número de partidos. Chega de reeleição, troca a troca e toma lá-dá-cá. Em um país de verdade, os representantes eleitos pelo voto deveriam prestar conta de tudo o que foi feito. Não abandonariam um cargo por conta de outra eleição. Não poderiam nunca se candidatar a nada se tivessem problemas na justiça. Entretanto, na farsa que é o meu país, temos um presidente investigado por corrupção. Temos um ex-presidente condenado que é candidato ao maior cargo da nação. Só falta fazer o debate na Globo em cadeia nacional. Temos muitos políticos envolvidos nos mais variados escândalos. Isso é uma coisa normal? O descaso, a incompetência e a corrupção são como uma praga miserável e, enquanto o mecanismo estiver funcionando, correntes e conceitos estiverem sustentando o poder, não importa o nome ou a legenda, nada mudará. O Brasil está dividido erroneamente em direita e esquerda. Nem esquerda nem direita. Quem disse que ser esquerda ou ser direita garantem alguma coisa? Quem disse que ser direita ou ser esquerda determinam honestidade e caráter? Quem disse que ser esquerda ou ser direita legitimam quaisquer ações? Direita e esquerda, esquerda e direita, volver, deveria ser literalmente a marcha dos militares. As posições se misturam, se tocam, se distanciam, se reaproximam, se distanciam de novo e tornam a se aproximar conforme as conveniências, conforme o vento, conforme a maré, conforme a música… Cansamos de acreditar neste país que assim se mostra. Já sei em quem votar. Vamos votar em ninguém. Ninguém para deputado, porque ninguém é corrupto; ninguém para senador, porque ninguém tem ficha limpa; ninguém para governador, porque ninguém é ladrão; ninguém para presidente, porque ninguém tem a cabeça no lugar. Nesta parda democracia, somos marionetes, coadjuvantes, secundários, subalternos, enfim, tristes, como personagens da Divina Comédia de Dante.

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